Por: Tiago Haubert
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Blog Tour ANETE, NARIZ DE CHICLETE - 10 passos essenciais para escrever um livro infantil

01/04/2014

Mais um post do blog tour de Anete, nariz de chiclete, escrito por Ronize Aline. Agora com ótimas dicas para quem quer escrever um livro infantil!

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Há quem diga que fazer literatura para criança é muito mais fácil do que literatura para adulto. O que muitos não entendem é que o difícil é a literatura bem feita, não importa para quem. Tanto uma quanto outra têm seus desafios, dificuldades e recompensas. Conhecer os meandros de cada uma é que vai prepará-lo para a escrita. Neste artigo vou mostrar 10 passos essenciais para escrever um livro infantil. É claro que bons livros são feitos com muito mais do que estes 10 passos, mas eles são um bom ponto de partida para quem está querendo começar e não sabe por onde.

1 - Escolha um tema atraente (e, por que não, inusitado?)

O que faz uma criança querer ler uma história? Sentir-se atraída pela promessa intrínseca no título, na capa, nos primeiros capítulos e nas ilustrações. E, para ser atraente, o livro deve ter uma história que a criança queira ler, não a que queremos que ela leia. Lembre-se de sua infância e das histórias que lhe atraíam. Os tempos mudam, as tecnologias avançam, mas alguns temas são eternos — não fossem, os contos de fadas não fariam sucesso até hoje. Em Anete, nariz de chiclete, o tema é “sempre pode acontecer algo inesperado para lhe surpreender e salvar o seu dia”. E a história gira em torno de uma série de “inesperados”.

2 - Insira um gancho.

Ganchos são elementos que prendem o leitor e o fazem querer continuar a leitura. É, imprescindível, portanto, que o gancho esteja logo nos primeiros parágrafos a fim de evitar que o leitor desista de acompanhar a narrativa. Em Anete há, na verdade, dois ganchos: um no próprio título — suscitando a pergunta “o que é um nariz de chiclete?” —, e o outro logo no primeiro parágrafo: “ Anete adora mascar chiclete. Adora soprar e soprar até formar uma imensa bola. E adora quando a bola estoura e gruda no nariz. Anete só não gosta quando, no colégio, começam a gritar: 'Anete, nariz de chiclete!' Aí, Anete limpa o nariz e pensa que gostaria de ter asas e voar pra bem longe daquela zombaria. A história acabaria aqui não fosse um fato inesperado.” O leitor vai querer continuar lendo para descobrir que fato inesperado é esse.

3 - Estruture a história.

Livros infantis não costumam ter estruturas muito elaboradas, devido ao seu tamanho. Mas isso não significa que não tenham estrutura nenhuma. Uma estrutura básica que funciona muito bem é: exposição da situação inicial, evolução, clímax e desfecho.

4 - Mostre uma mudança no protagonista.

Assim como nas obras adultas, o personagem da história infantil deve passar por alguma transformação, provocada pelos fatos ocorridos ao longo da narrativa e pelas reações dele a esses fatos. O livro deve terminar com o protagonista diferente de como começou. Anete, no início da história, sentia-se magoada e discriminada por seus colegas por andar com o nariz grudento de chiclete. Quando a história termina, a menina está radiante e muito mais segura, porque graças ao seu nariz grudento viveu uma aventura muito mais incrível do que qualquer um de seus colegas pode imaginar.

5 - Selecione um narrador.

Escolha se quem vai narrar a história será algum dos personagens ou um narrador na terceira pessoa. O narrador na primeira pessoa gera uma maior cumplicidade com o leitor, principalmente se for o protagonista, o que dará uma visão privilegiada da situação. Mas há histórias que pedem uma narração onisciente, distanciada, então a solução é recorrer ao narrador em terceira pessoa.

6 - Restrinja o espaço e o tempo.

Histórias infantis costumam acontecer em um espaço e um tempo limitados — tirando exceções, é claro. Os cenários são poucos, e devem ser bem escolhidos. E o período de tempo durante o qual acontecem os eventos da narrativa não costumam ser muito estendidos —  vai aumentando à medida que as histórias passam a ser destinadas a um público mais velho. A história de Anete, por exemplo, tem sua ação principal toda em um único dia.

7 - Evite longas descrições.

Crianças querem saber de ação, seja ela qual for. Descreva cenários e personagens de forma que o leitor seja capaz de identificá-los e simpatizar com eles, mas deixe espaço para a imaginação. Concentre-se na trama, no movimento, no avançar das cenas e na construção de diálogos convincentes.

8 - Não menospreze a criança.

O maior desafio é não menosprezar a criança, ela é muito esperta, inteligente e questionadora. Não aceita qualquer coisa. Tenho visitado muitos colégios conversando e contando as histórias dos meus livros para os alunos, e as perguntas e comentários que eles fazem são muito ricos. Há quem evite incluir palavras desconhecidas por achar que isso irá afastar a criança do livro. E como é que elas aprendem novas palavras? Quando nascem, não conhecem nenhuma e, segundo pesquisas, são capazes de aprender mais palavras nos dois primeiros anos do que em todo o resto de sua vida. No entanto, um dos encantos em escrever para crianças é que elas ainda não têm tantas amarras, tantas limitações que vamos acumulando com o passar dos anos. Elas se permitem sonhar mais longe, acreditar mais. Por isso acredito que a literatura de Fantasia seja apreciada pelos adultos que não perderam essa habilidade de acreditar.

9 - Fuja das lições.

Literatura infantil, assim como literatura de uma forma geral, é prazer. Não estrague isso com didatismo — para isso há os didáticos e paradidáticos. A história tem que ser atraente, bem construída, provocar emoções e despertar sentimentos no leitor, não ficar empurrando-lhe lições de moral goela abaixo.

10 - Não coloque um adulto para salvar o dia.

Na vida real, é comum que adultos sejam aqueles capazes de salvar o dia de uma criança — ou, pelo menos, resolver as questões para as quais ela ainda não está preparada. Mas quando está entretida com alguma história, o que ela quer é ver a criança representada no personagem do livro dar conta da situação por ela mesma. Isso lhe dá força e a faz acreditar que é capaz também. Ela se identifica com o personagem, vive as mesmas emoções que ele e é capaz de também transformar-se ao longo da narrativa. Afinal, ela é o herói da história.

Para quem chegou ao fim do post, pode ganhar um brinde. A primeira pessoa que comentar o post e a primeira que comentar a publicação no facebook na página www.facebook.com/aspiranteaescritor, ganhará um calendário e um marcador, respectivamente (cada pessoa só poderá ganhar um dos brindes). O comentário deve mencionar o desejo de ganhar o brinde que será enviado posteriormente via correio. (O endereço pode ser enviado através da aba "contato" no site do aspirante ou inbox pelo facebook.

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Tiago Haubert
Blog com o intuito de compartilhar informações ligadas à literatura catarinense e brasileira. Nesse espaço, também transcreverei minha jornada de aspirante a escritor, onde trarei entrevistas com autores, dicas e aprendizados àqueles interessados em publicar seus livros e relatarei histórias cotidianas na busca a esse sonho de me tornar um escritor profissional de ficção. Caso o leitor queira divulgar seu trabalho, livro, conceder entrevista e contribuir com materiais ligados, favor entrar em contato com tiagohaubert@hotmail.com. Vamos apoiar escritores nacionais! Tiago Haubert é um aspirante a escritor e manezinho sonhador. Começou a escrever aos 13 anos e, pelas circunstâncias da vida, deixou o projeto de lado até se formar em Direito pela UFSC no ano de 2009. Nesse meio tempo, virou advogado e empresário dono da marca de roupas FORS, mas nunca esqueceu aquele sonho de um dia conquistar leitores. Em 2012 retomou essa busca e em meados de finalizar seu primeiro livro, pretende ganhar seu lugar ao sol entre as editoras publicando nas "colunas e blogs" do site "Tudo Sobre Floripa" e no Blog Causos de Um Aspirante a Escritor (www.aspiranteaescritor.com.br).

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