Por: Fala, Zanfra!
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E se o impeachment não passar?

03/04/2016

Posso parecer exagerado e um tanto paranoico, mas tenho uma preocupação do tipo pós-apocalíptica que me está tirando alguns preciosos minutos de sono: dado o grau de beligerância que norteia nossa vida política hoje em dia, o sectarismo sanguinolento e doentio que transformou os defensores do governo e a turba PTfóbica em adoradores do UFC, o que pode acontecer com este país caso o impeachment não passe no Congresso, caso não sejam atingidos os 342 votos necessários para derrubar a presidente?

Sim, porque não se pode ter o impedimento da presidente como favas contadas. A própria Folha de S. Paulo sustenta em seu editorial de hoje que nenhum dos argumentos dos defensores do impachmet é irrefutável. Eu, particularmente, não acredito que uma simples manobra contábil possa transformar-se num crime de responsabilidade, como a oposição deseja, suficiente para sacar do cargo uma presidente colocada ali democraticamente por força do voto popular.

Os motivos não são suficientes e se o processo passar com os argumentos que até agora se alinhavam tenho por mim a existência de um golpe para a derrubada do governo, insuflado antes nas sombras e agora às claras por um ex-aliado, o PMDB.

Não quero e não vou defender a presisdente Dilma porque também acho que ela meteu os pés pelas mãos, foi boicotada, acertou algumas e errou muitas e acabou perdendo a sustentação de voo. Ela não teria apoio para continuar governando o país, e aí teria até de ser pensada uma solução para isso, mas, tirando a opinião daquela tal de Janaína, que entrou com o pedido de impeachment, não “sobram crimes de responsabilidade” para derrubar a presidente.

A opinião de notórios crápulas, pelegos, trambiqueiros, oportunistas, fichas sujas e mãos mais ainda que frequentam as bancadas parlamentares de que temos um governo “corrupto e ladrão” – cujos nomes não vou declinar, para não alimentar ainda mais  sua ficha de antecedentes e seu ego podre – têm para mim o mesmo valor da descarga fisiológica de um cachorro na rua, ressaltando-se a possibilidade de esta massa fecal gozar de ainda um pouco mais de meu respeito e consideração.

Mas, voltando ao norte do tema: e se o impeachment não passar? E se esses gritos vociferantes que ecoam nas manifestações, enquanto alguns coitados que usam vermelho são espancados e algumas crianças perdem o atendimento médico pelo fato de os pais serem petistas, não encontrar eco entre os congressistas? Se essa válvula de escape, esse êxtase, esse orgasmo PTfóbico gorar? Guerra civil? Golpe militar? Invasão de coxinhas no Palácio do Planalto? Ou, finalmente, vão deixar Dilma Vana Rousseff chegar pacificamente ao fim do mandato?

Repetindo o que disse no início, posso estar sendo exagerado, mas o temor é real. Não sei o que será do Brasil pós-processo de impeachment se não derrubarem o governo. Se derrubarem, peço licença para repetir as palavras do ministro Luís Roberto Barroso, do STF, diante da possibilidade de Michel Temer e seu PMDB assumirem o trono: “Meu Deus do céu, esta é nossa alternativa de poder...”

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