Por: Mascote
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Comércio de animais em pet shops e feiras: o que há por trás disso…

Animais - 19/07/2013

Aqueles filhotes de cães e gatos, fofíssimos, que ficam nas pet shops à venda, são difíceis de resistir, não é mesmo? Mas uma rápida olhada em como essas lojas obtém os animais revelam um sistema na qual o preço que o consumidor paga pelo “cãozinho na vitrine” é pouco perto do sofrimento dos animais.


Aquele adorável filhote, provavelmente veio de uma “fábrica de filhotes”, um lugar onde não há controle algum sobre a reprodução dos animais. Não é difícil de encontrar um lugar assim: pode ser um vizinho que tem uma cadela “linda” e quer acasalá-la para “ganhar dinheiro”.

Resultado: filhotes que não têm nenhum controle genético, podem carregar alguma doença hereditária e a cadela mãe que não tem descanso: é colocada para acasalar todo cio, ou seja, duas vezes por ano. Algumas até permanecem trancafiadas. Muitos sequer levam os animais ao veterinário. A maioria dos animais (filhotes e adultos) não é socializada. O resultado disso é que muitos filhotes acabam sendo abandonados depois de semanas ou meses, pois os donos ficam frustrados com o animal que adquiriram, aumentando ainda mais a população animal das ruas, tornando-os expostos aos maus-tratos, à fome, ao frio.

 

Gaiolas, Sujeira e Negligência

Nas fábricas de filhotes os animais ficam em pequenas gaiolas feitas de madeira e arame, cabines de pick-ups ou simplesmente amarrados a uma corda. Como já foi dito acima, as cadelas acasalam duas vezes ao ano e geralmente são sacrificadas quando não conseguem mais ter filhotes. As cadelas e suas crias geralmente sofrem de má nutrição, não têm sequer um abrigo e não têm atendimento veterinário nenhum.

Os filhotes são separados da mãe e vendidos, sendo então colocados em gaiolas e levados às pet shops. Essas viagens podem ser de centenas de quilômetros em pick-ups, trailers, caminhões e/ou aviões, sem comida, água, ventilação, abrigo e espaço para se exercitar. Muitos filhotes chegam a ficar superaquecidos e morrer de calor. Mesmo que uma pet shop jure de pés juntos que não pega os animais de fábricas de filhotes, há grandes chances de que compre de pessoas que têm ligação com essas fábricas, vendendo seus filhotes.

Os filhotes que sobrevivem às condições anti-higiênicas das fábricas de filhotes e ao péssimo transporte até as pet shops raramente conhecem o contato humano que tanto é necessário para se tornarem bons animais de estimação. Por não gastar dinheiro com alimentação adequada, abrigo e cuidados veterinários, as fábricas de filhotes têm um lucro altíssimo.

As condições não melhoram muito quando os filhotes chegam às pet shops. Cães que são mantidos em pequenas gaiolas sem exercícios, amor e contato humano tendem a desenvolver comportamentos indesejáveis e podem latir excessivamente ou se tornar destrutivos e anti-sociais. Diferentemente de sociedades protetoras, as pet shops não se preocupam com o futuro dos filhotes. A falta de leis nesse sentido permitem que as pet shops continuem a vender animais doentes...

 

Fábricas e “corretores” fazem grandes negócios

Em algumas dessas fábricas os cães não têm uma cama para dormir e nem proteção contra o frio ou contra o calor. Alguns possuem feridas que não foram medicadas, infecções na orelha e abscessos nas patas. O confinamento e a solidão, algumas vezes, deixam as cadelas loucas.

Existem milhares de “criadores” e de negociadores pelo país, o que gera um movimento grande de dinheiro.



A angústia das raças puras

Algumas pessoas compram cães de determinadas raças por impulso e na maioria das vezes as pessoas sequer lêem a respeito da raça ou estão prontos para o compromisso e as responsabilidades de se ter um animal de estimação. Filmes como 101 Dálmatas e Beethoven, programas de TV como Frasier e comerciais como o do Taco Bell causaram um boom de popularidade de certas raças e, ainda, a maioria dos donos não sabe quais são os cuidados necessários da raça que ele comprou. “Toda vez que Hollywood faz um filme de cachorro, aquela raça se dá mal”. Quando aumenta a procura por determinada raça, as fábricas de filhote entram em ação e produzem centenas de filhotes daquela raça. Mas, quando o Jack Russell Terrier não é nada parecido com o “Eddie” de Frasier ou o São Bernardo não age como o “Beethoven”, os abrigos e CCZs lotam de cães dessas raças, que foram abandonados por seus donos.

A solução para isso seria os verdadeiros criadores castrarem os filhotes que seriam vendidos como pet, ou seja, como animais de estimação. Aqueles filhotes com qualidade para reprodução e exposição não seriam castrados mas, se vendidos, a responsabilidade de sua criação seria do criador, e não do dono. Os compradores, também, não devem comprar de pet shops, mas sim, de criadores sérios. O preço é mais caro, mas, como diria o ditado: o barato sai caro. Nas fábricas de filhotes, os cães são criados para quantidade, e não qualidade, então doenças genéticas e problemas de comportamento que passam de geração para geração são bem mais comuns nesse tipo de criação. Essa situação resulta em contas de veterinário altíssimas para as pessoas que compram esses cães, além de a probabilidade de se ter cães com desvios de comportamento e anti-sociais ser maior. Os treinadores afirmam que nessas fábricas não há a menor consideração a respeito do temperamento do animal. E, no final, as pessoas ou abandonam os animais por não corresponderem ao que queriam ou, simplesmente, os sacrificam.

 

Inspeções inadequadas

As fábricas de filhotes raramente são monitoradas pelo governo e não existem leis que a proíbam. Cabe a nós mudar essa situação, pelo bem dos animais, não comprando filhotes de pet shops.

Procurando por um companheiro canino

Com milhares de cães e gatos abandonados (incluindo os de raça) morrendo anualmente nos CCZs e nas ruas, simplesmente não existe razão para que os animais se reproduzam e seus filhotes sejam vendidos pelas pet shops. Sem as pet shops, as fábricas de filhotes tendem a desaparecer e o sofrimento dos cães irá acabar. O melhor lugar para se encontram um amigo animal é em um abrigo, em feiras de adoção ou no CCZ da sua cidade.

 

Alguma regulamentação já existe em outros estados, como por exemplo em São Paulo, onde existe a Lei nº14.483, de 16 de Julho de 2007 – SP, que em uma parte diz que:

DISPÕE SOBRE A CRIAÇÃO, VENDA E DOAÇÃO de CÃES E GATOS

Art. 4º  § 4º  Os animais expostos para doação devem estar devidamente esterilizados e submetidos a controle de endo e ectoparasitas, bem como submetidos ao esquema de vacinação contra a raiva e doenças espécie-específicas…

Art. 8º Os canis e gatis comerciais estabelecidos no Município de São Paulo só poderão funcionar mediante alvará de funcionamento expedido pelo órgão competente do Poder Executivo.

Art. 18.  Os canis e gatis estabelecidos no município de São Paulo somente podem comercializar, permutar ou doar animais microchipados e esterilizados.

 

Mas, infelizmente, no nosso estado de Santa Catarina e em muitos outros não existe nenhuma regulamentação a esse respeito, e enquanto nenhuma providência nesse sentido for tomada, os animais vão continuar pagando com suas vidas...

 

Eu mesma (Paula Jabur) fui uma das vítima dessas feiras de filhotes, antes de me tornar protetora de animais, não conhecia nada sobre como tudo isso funcionava, e resolvi comprar o primeiro cão da minha vida, fui a uma feira que estava acontecendo em um Shopping em São José, e ali comprei um "Shihtzu" filhote. Em 4 meses, que foi o tempo que ele viveu, foi muito sofrimento, pois ele veio com uma sequela da doença Cinomose, que quando não mata pode deixar o cão com problemas graves, e ficou pior a cada dia até vir a falecer. Ou seja, esse meu filhote já havia contraído a cinomose no canil fundo de quintal de onde ele veio, e além disso vim a descobrir que ele nem era um Shihtzu e sim um Lhasa Apso. Foi muito sofrimento para todos nós, e justamente por isso comecei a me informar mais sobre essas feiras e vim a descobrir as maravilhas da Adoção consciente de animais!


 

Fonte: PETA – Helping Animals: http://www.helpinganimals.com  e  http://mariliaescobar.wordpress.com

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Autora: Paula Jabur O blog Mascote trata dos mais variados assuntos sobre animais de estimação: notícias, entrevistas, fotos, dicas, comportamento, saúde, adestramento, adoção, doação e muito mais! Protetora de animais, Paula resolveu ter o primeiro cãozinho em 2010 e, desde então, essa paixão só aumenta. Logo de cara, enxergou a necessidade de lutar pelos bichinhos!! Hoje ela abriga mais de 50 animais resgatados que viveram situação de maus tratos e abandono.

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