Por: Cronicidade
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No peito e na raça

02/07/2013

Não sou chegado a esoterismos, mas algo mudou na “conjunção astral” brasileira. De repente, está tudo dando certo. Parece que saímos da rota modorrenta de perdas e humilhações para um novo e promissor caminho. A autoestima do povo está de volta.

Faturamos a Copa das Confederações em casa, após destronar a “invencível” Espanha, com direito a baile. Enquanto a seleção ganhava todas as partidas que disputou, do lado de fora dos estádios o povo reunido mergulhava numa saga de protestos “nunca antes vista na História desse país”, como diria o ex-chefe do gerente-geral do mensalão. Milhões de brasileiros gritaram para o mundo que muita coisa está errada no país do futebol. Contra todas as previsões iniciais, as manifestações continuam. Os políticos estão acossados (pois ano que vem tem eleições) e algumas vitórias pontuais foram obtidas, apesar da demagogia implícita. Mas a grande vitória desses últimos dias foi o despertar de um povo tachado como preguiçoso e acomodado. É essa mudança que está fazendo a engrenagem girar em outro sentido.

Que a chama dos protestos permaneça acesa. E que a seleção continue na trilha das vitórias até o fim da Copa do Mundo de 2014. O equilíbrio entre a alegria do esporte e a seriedade de nossas mazelas sociais só demonstra que novos tempos estão chegando. A multidão cantando o Hino Nacional a plenos pulmões, dentro e fora dos estádios, mostrou que o sentimento de brasilidade está de volta. Quem disse que não se pode conciliar diversão e engajamento, alegria e seriedade? É impossível viver sem ao menos algumas migalhas de prazer, ainda que em meio à nossa tragédia social. A alienação é parente do (falso) moralismo, pois são ambos fugas da realidade. É sim possível ser espectador do BBB e leitor de Dostoievski, por que não?

A esperança está de volta. Mas, por favor, caros manifestantes, chega de cartazes pedindo o “padrão-Fifa” na saúde, educação etc. “Padrão-Fifa”, que eu saiba, é feito de política rasteira, ganância e uma infinidade de conchavos e negócios mal explicados.

PS: Quem é mais vândalo? O arruaceiro mascarado que quebra vidros e destrói o “patrimônio público” (aqui o político “indignado” enche a boca para criticar) ou os gestores públicos que, por inépcia ou corrupção, deixam os brasileiros morrerem sem atendimento na porta dos hospitais do SUS?

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Autor: Rafael Leiras Cronicidade é o mesmo que periodicidade, ou seja, o estado do que ocorre em tempos determinados. Esta palavra incomum, esquecida nos dicionários, também parece fundir as ideias de crônica e cidade – dois territórios onde transcorre a vida, com seus ciclos eternos, seus tempos determinados. Cronicidade dá nome a este espaço, abrigo de fotografias e textos, livres de rótulos ou classificações. Simples registros do cotidiano da nossa época. Rafael Leiras é jornalista, escritor e roteirista. Nas redações, trabalhou como repórter em jornais do Rio de Janeiro e de Florianópolis.

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