Por: Fala, Zanfra!
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Nós, escritores

15/04/2019

Confesso que sempre fiquei meio cheio de dedos antes de colocar a condição de ‘escritor’ diante de meu nome, quando preencho algum formulário ou me identifico nas redes sociais.

O mesmo não acontece com ‘jornalista’, claro: afinal, apesar de não estar mais exercendo a profissão, eu a exerci por quase quarenta anos, tenho registro profissional, diploma, currículo, histórico e o escambau. Tenho substância, em resumo.

Por isso, posso identificar-me como jornalista até morrer. Não posso (e não quero), em hipótese alguma, e em lugar algum, me identificar com o genérico ‘aposentado’.

Mas com ‘escritor’ é diferente. Deve haver algum parâmetro que, caso você obedeça, pode dizer de boca cheia que é escritor, sem que alguém duvide, olhe para você de soslaio e com um sorriso meio irônico no canto da boca. Mas eu não sei qual é essa condição básica e por isso às vezes me acho meio pedante ao assumir uma qualificadora que posso talvez nem merecer.

O que é preciso, afinal, para você dizer sem pudores que é escritor? Publicar um livro? Publicador dois livros? Publicar três? Ter registro em carteira? Currículo Lattes? Viver da profissão? Ser filiado a alguma entidade de escritores?

(Abro aqui literalmente um parênteses para tocar num desses pontos cruciais: quem, afinal, vive da profissão de escritor? Dan Brown, Harlan Coben, Paulo Coelho, Mary Higgins Clark, Rubem Fonseca, Patricia Cornwell, Lawrence Block? Parece-me que não passam de meia dúzia de sete ou oito num universo estimado, por baixo, em oitocentos a novecentos mil escritores no mundo todo.)

Mas e os demais? Eu, por exemplo, não tenho registro em carteira como escritor, não sei como se preenche um Currículo Lattes, não sou filiado a nenhuma associação de escritores. Quanto a ‘viver da profissão’, sou um daqueles muitos – muitos, mesmo! – que acabam soltando algum por fora para ajudar a ver o livro publicado.

Então, só me resta o critério produtividade: tenho dois livros publicados – As covas gêmeas (Editora Brasiliense, 2010) e A rosa no aquário (Editora Unisul, 2018) – e estou lançando o terceiro. Isso bastaria?

Alguns amigos que cruzam comigo por aí costumam me saudar com um “fala, grande escritor!”, mas eu nunca sei se estão falando sério ou sendo jocosos. Mas também não sei se pensar que eles podem sendo jocosos não passa de um grande problema de autoestima de minha parte!

Aliás, tudo o que escrevi desde lá do alto  pode ser parte de um problema de autoestima, não é? Então, que tal fazer de conta que não escrevi nada e não dar bola para um pretenso escritor?

***

Quero aproveitar para convidar os estimados leitores a me ajudarem no processo para elevar minha autoestima: lanço nesta quarta-feira, 17 de abril, meu terceiro livro, O beijo de Perséfone, pela Editora Unisul. O coquetel de lançamento acontece na Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina, no Espaço Cultural Jerônimo Coelho (entrada do auditório Antonieta de Barros), a partir das 19 horas. Conto com sua presença.

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