Por: Fala, Zanfra!
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O adeus à próstata

24/10/2017

Vou começar o próximo Novembro Azul – o mês dedicado à prevenção do câncer de próstata – na agradável companhia, 24 horas por dia, de uma sonda uretral.

O apêndice plástico liga minha bexiga ao mundo exterior e foi colocado no interior da uretra por causa de uma prostatectomia radical a que fui submetido. Ou, em linguagem mais direta, como consequência de uma cirurgia em que minha próstata foi extirpada.

Por quê? Porque, apesar de todo carinho e atenção com que a vinha tratando, ela me retribuiu com um adenocarcinoma prostático, um tumor com grau de agressividade 3 + 4 na escala Gleason (entre baixo e médio). Dois dos seis fragmentos extraídos do órgão durante uma biópsia apresentaram esse carcinoma maligno.

Teria duas opções para atacar o mal: a radioterapia ou a cirurgia. O aspecto negativo da radioterapia é que, no eventual reaparecimento do tumor, não haveria mais a opção da cirurgia. A radioterapia ficaria como uma espécie de carta na manga no caso do recrudescimento do câncer. Por isso, optei pela cirurgia, já que a recidiva da doença não é rara..

Tenho a obrigação de fazer aqui uma pausa para explicar que vinha realizando exames anuais da próstata. E isso significa que, embora de importância crucial, não basta a prevenção para se livrar do tumor. A prevenção, no caso, serve para a detecção precoce da doença e, consequentemente, trazer possibilidade maior de cura.

No meu caso, apenas um terço da próstata estava comprometido, e eu fiquei sabendo disso quando o exame de Antígeno Prostático Específico (PSA) acusou uma elevação considerável: até o ano passado, nunca havia sido maior do que 2; em 2017, subiu a 6,39.

Mas, repito, só foi possível detectar o fator que poderia levar-me à morte por causa da obrigação autoimposta de me sentar religiosamente no consultório de um urologista, uma vez por ano, para acompanhar a glicemia, o colesterol, os triglicerídios e, claro, a dita cuja que agora não mais faz parte de meu sistema urológico.

Exatamente na entrada do Novembro Azul vou retirar a sonda e, a partir daí, acredito, a vida volte à normalidade. Vou deixar para pensar mais tarde nas eventuais sequelas da prostatectomia radical – incontinência urinária e disfunção erétil. Por enquanto, ainda tenho o pós-operatório com que me incomodar...

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