Por: A Vida Acontece em Gerúndio
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O amor muda a vida da gente

24/09/2014

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Um grande amor muda a vida da gente. Muda a gente por dentro. Por fora. Por baixo e por cima. Depois que vivi esse sentimento,  meu jeito de olhar nunca mais foi o mesmo. Nem meu jeito de falar, nem meu jeito de sorrir, nem meu jeito de dormir. Nem meu jeito de acordar, de trabalhar, de sonhar. Nunca mais eu fui o que achei que era, ao mesmo tempo que parece que me tornei o que sempre fui. Complexo e simples.
O amor faz da gente, gente de verdade. Tudo passa a ser genuíno. De repente você quer porque quer. Briga porque quer. Beija porque quer. Cozinha porque quer. Abraça porque quer. Ama porque quer. Odeia porque quer. Perdoa porque quer. Constrói porque quer. É a vida existindo em toda sua plenitude, com toda sua verdade. Porque não dá pra ser metade no amor. Ser morno no amor. Ser falso no amor. Ser cenário no amor. Ser ajudante de pedreiro ou auxiliar de cozinha ou subgerente ou vice-presidente no amor. É uma coisa que te endireita e estica o pescoço e te coloca o queixo mais alto que o horizonte. Os olhos brilham sem querer, você sorri sem querer, é idiota sem querer. Esse amor te dá a sensação de poder virar o mundo de ponta-cabeça. Dar um nó. Te dá sensação de que não pode coisa nenhuma apesar de querer muita coisa.
No amor, você se acha feio e bonito ao mesmo tempo. Ele te quebra as pernas. Destrói os conceitos e pré-conceitos. Você se torna adulto e volta a ser criança. É capaz da maior gentileza e da pior crueldade. É capaz de transformar a simples realidade em comercial de margarina. O comercial de margarina em filme de psicose. Porque o amor acontece a dois. O grande desafio é acertar o mesmo peso pras duas balanças. A maior sabedoria é aceitar que na maioria das vezes vai sempre haver diferença. Você por cima, outro por baixo. O outro por cima, você por baixo. Mas fazer amor é isso, ou não é? É bom estar por cima e por baixo. Há de se entender o prazer nisso algum dia. Você vai e planta a flor do jardim e depois arranca a coitada. Seja a chutes por raiva qualquer, seja pra colocar na mesa do jantar. É isso. Plantar, arrancar e plantar de novo. E quando estiver crescendo meio torta e fraca, o negócio é arar a terra ou mudar a semente de lugar no jardim de casa. Você pode até achar que chegou a hora de não plantar mais e deixar morrer. Mas, amor que é amor, é como chuchu. Nasce sem querer e pode ter o gosto que você temperar com alho ou salsinha ou sal ou nada. Pode colocar debaixo de terra. Depois da chuva, vai ver aquela folha verdinha anunciando que está voltando e que morreu nada, inocente. Amor que é amor, não se esconde, não se guarda, não se evita. Dá mais trabalho cortar as folhas que brotam diariamente do que fazer um bom cozido do fruto. Ou não. Acredito que amar não seja uma escolha. Viver o amor, sim, é uma escolha. Nós, humanos, somos craques em dividir, subir dois, tirar sete. Queria saber se aquele matemático Oswald de Souza, o fulano da zebrinha que fazia a previsão do resultado dos jogos da Loteria pro Fantástico, foi cara bem casado e feliz. Detesto números e previsões. Não gosto de cartomantes. Porque sim, quero acreditar que meu presente e futuro sejam resultado das minhas escolhas. Mas, no amor, as escolhas não são só nossas. O coração foi sempre minha calculadora. E sempre faltou pilha pra ela (preferia guardar a bateria para outras funções). Acho isso ótimo. Meu defeito com números ligados ao coração é guardar datas importantes. E, 24 de setembro, cinco dias antes do meu aniversário, é uma delas porque mudou a vida que eu vivia, a cabeça que eu tinha, o coração que me cabia. Essa data me mostrou que meu coração sempre quis pular, como se mal coubesse no peito. O amor faz bem e faz mal. A ciência tenta mostrar que comer ovos, abacate, tomar cerveja, ou vinho, também. Depende da dose diária. Problema é que amor não é matemática, nem ciência. Amor não tem medida, nem explicação. Ufa, que bom.

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Sou uma jornalista quase quarentona e estou mudando minha vida depois de a ter bem estruturada, carreira a mil por hora, casa própria, cachorros e papagaio. O papagaio não é verdade. Mas já tive que cuidar de uma tartaruga – o que serve para o momento. Esse blog nada mais é que uma autoterapia e, talvez, quem esteja pensando em dar uma guinada de muitos graus consiga se divertir por meio dos meus relatos e opiniões pessoais. Ou não. O fato é que estou fazendo uma mudança de vida e resolvi estar escrevendo enquanto isso estiver acontecendo porque, apesar de não ser operadora de telemarketing, a vida acontece em gerúndio. Sempre e inevitavelmente.

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