Por: Fala, Zanfra!
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Onde os outros tiram férias

03/01/2019

Os italianos têm um ditado bastante sacana para definir as visitas que invadem nossas casas nesta época de temporada: L’ospite è come il pesce, fra ter giorni rincresce. Algo como “o hóspede é como o peixe, depois de três dias começa a feder”. Sutil e preciso. Minha única ressalva é que alguns hóspedes nem precisam de três dias...

Nós, que temos a “sorte” de morar onde os outros tiram férias, passamos muito por esses percalços. Enfrentar a casa cheia de gente durante às vezes o mês inteiro não é para qualquer monge. Principalmente quando a relação de visitantes inclui esses hóspedes que se deterioram mais rapidamente - e que costumam demorar mais para ir embora.

Eles são de fácil identificação: estão de férias, e nossa vida particular que se adapte a essa condição; têm geralmente filhos pequenos, que a mãe “não sei mais o que fazer” e que vivem pulando com suas delicadas patinhas no sofá que você pagou quase cinco mil; mudam sua rotina como se estivessem numa pousada, pagando atendimento VIP; comem bem, bebem melhor ainda, e a única contribuição para o consumo é comprar uma costela no supermercado e te obrigar a fazer um churrasco.

Mas não são só eles que nos trazem transtornos. Mesmo os familiares mais queridos provocam alterações drásticas em nossa rotina. Principalmente no consumo, em geral: sua conta de luz e água vem triplicada; sua conta de supermercado, também – porque você passa a comprar leite que nunca tomava, sucrilhos (que não comia nem quando era criança), três vezes mais pó de café, três vezes mais copos de requeijão, quatro vezes mais refrigerantes, e muita, muita mistura, para acompanhar o arroz (que você comprou duas vezes e meia mais).

E aí é um tal de acordar mais cedo para preparar o café; ser obrigado a ver a novela das nove e o Faustão, que você detesta; estudar os horários de todo mundo, para organizar suas idas ao banheiro; pedir o varal emprestado do vizinho, para secar suas roupas, porque todos os seus varais vão estar cheios de biquínis, cangas, bermudas, camisetas e toalhas multicoloridas dos hóspedes; e cozinhar para um batalhão, porque, mesmo se forem apenas quatro ou cinco pessoas, os visitantes sempre comem por um batalhão. E fique feliz se receber pelo menos um elogio pela comida.

Mas não há mal que sempre dure! Você vai receber um abraço de agradecimento “pela acolhida”, vai poder comer o resto dos salgadinhos que eles não conseguiram consumir, pode tomar aquele guaraná sem gás que ficou no fundo da garrafa, pode voltar a frequentar o banheiro na hora em que bem entender, pode pendurar suas roupas nos seus próprios varais e pode até tirar a tevê da tomada, que ninguém mais se importa. Nem precisa de férias: a volta à rotina já é uma dádiva!

Só que no ano que vem tem mais! Você fatalmente disse “volte sempre” quando recebeu o abraço de despedida, e os hóspedes costumam levar isso a sério! Prepare-se, pois! Quem mandou mostrar-se um anfitrião impecável? E quem mandou morar onde eles tiram férias?

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