Por: Fala, Zanfra!
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Ratinho natureba

17/06/2019

Quem nunca recebeu no aconchego do lar a incômoda visita de um camundongo que atire a primeira ratoeira!

Duvido que os estimados leitores – especialmente os que moram em casas – tenham escapado de pelo menos uma experiência nesse sentido! Os ratinhos, tão populares e fofinhos nos desenhos animados, são a segunda praga urbana em termos de proliferação no mundo, perdendo apenas para as baratas.

Sua presença, ao mesmo tempo em que é desagradável, é indiscutível: você sabe que tem visitas pelas mordiscadas aqui e ali, pelos cocozinhos minúsculos deixados em locais onde você não vai deixar de ver e pelos pequenos ruídos intranquilizadores durante a madrugada...

Aqui em casa, sua presença é cíclica: ficam um bom tempo sem aparecer, provocam um ou dois dias de alvoroço quando aparecem, e ficam novamente um bom tempo ausentes de nosso convívio. Isso, é claro depois que o hóspede da vez é eliminado!

Já tivemos dificuldades em nos livrar de certos roedores – cheguei a escrever algo a respeito aqui mesmo neste espaço, há quase dois anos (http://www.tudosobrefloripa.com.br/index.php/desc_blogs/o_ratinho_ninja) – mas de um modo geral temos levado vantagem no confronto: um pedacinho de queijo ou bacon, devidamente amarrado à ratoeira, tem sido irresistível, e ao mesmo tempo mortal, aos visitantes. Dois, três dias, e a casa volta à normalidade...

Nesta última semana, porém, uma situação está nos intrigando: nosso amiguinho não está cedendo aos apelos gastronômicos e esnoba tanto o queijo quanto o bacon. Nos primeiros dois dias em que o pedaço de queijo desapareceu, descobri que havia sido levado pelas formigas – esqueci de dizer que também temos problemas com elas – talvez até antes mesmo que o camundongo o tivesse visto.

Mas nas tentativas posteriores, agora com as formigas expressamente proibidas de se aproximarem, os petiscos também permaneceram intocados. O que nos leva a três possíveis conclusões:

1 – Nosso ratinho é finalmente o primeiro exemplar da evolução da espécie, capaz de orgulhar Darwin, e aprendeu finalmente que a ratoeira é um instrumento mortal; demoraram mais de cento e vinte anos para descobrir isso, mas antes tarde do que nunca!

2 – Nosso ratinho tem uma mãe muito zelosa, que não deixa que ele saia à noite sem agasalho e o proíbe de comer besteiras por aí, principalmente produtos gordurosos como o bacon e o queijo, perigosos para a taxa de colesterol!

3 – Nosso ratinho é vegano, isto é, não usa em sua alimentação nenhum produto de origem animal, ou, como diz o vulgo, não gosta de alimentos produzidos a partir de algo que rasteje, ande, nade ou voe; portanto, oferecer-lhe bacon e queijo soa quase como uma ofensa; isso explicaria por que a cozinha fica cheia de cocozinhos – é a sua forma de protesto!

Não desistimos, entretanto! Como nada podemos fazer no caso de ele ter evoluído ou de ser filho de uma mãe extremada, vamos fazer uma tentativa na possibilidade de estar acontecendo a terceira opção:  vamos armar a ratoeira hoje à noite com um pedaço de tofu! Tiro e queda para os naturebas!

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