Por: A Vida Acontece em Gerúndio
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Realizando um sonho. Chegou a hora

15/10/2014

Fiquei cá parada, há pouco. Só segurando o cigarro e pensando e sentindo, eu e eu, a gente (somos muitas dentro de nós) em silêncio, sobre o que é realizar um sonho, qual é a sensação disso, afinal. Pouco antes, tinha recorrido a recortes, papéis, escritos, onde anotava muitos deles. Como ter uma piscina na sala de casa. Voar de asa delta, saltando da Pedra Bonita. A foto de um protótipo do Audi TT. Assistir a uma final Flamengo e Fluminense no Maracanã. Ver o teto da Capela Sistina. Surfar uma onda gigante, pegar onda no Havaí. Passar o Natal em Nova Iorque, abraçar o Papai Noel, patinar no gelo em Rockefeller Center e ficar horas numa loja de brinquedo gigante com as sobrinhas e a filha que a vida me deu. Passar a lua de mel nos bangalôs do Tahiti. Ser presidente da república. Viver um grande amor e passar a vida ao lado dele. Tirar um ano sabático para viajar pelo mundo. Dirigir uma Ferrari. Sei lá. Tive e tenho tantos sonhos de criança e de adulta que fica difícil listar por aqui. Todos podem ser rotulados por cada um que os lê. Uns de infantis, outros de loucos, impossíveis, ou simples, banais, incompatíveis. Tá certo. Podem ser. Sabe, quando era criança pequena mesmo, minha mãe garante que eu lia os gibis todos de ponta cabeça. Deve ser, porque eu vejo o mundo um pouco assim até hoje. Uma fuga, alienação, escape? Sei lá o que se explica na psicologia da coisa. Ou nem se explica nada. Era só isso mesmo e pronto. Tem um fator na realização de um sonho que fica mais fácil de enfrentar no meu caso (quando ele muda a sua vida). As pessoas sempre me acharam "diferente". Seja pelo meu jeito batateira de contenda, ou pelo meu jeito criança e moleque, pelo meu lado bravo e revoltado, pelo jeito que me visto, a maneira que falo, minha alma apaixonada ao extremo e sempre over para os sentimentos. Mas, ao mesmo tempo sempre fico intrigada com o fato de me acharem diferente. Simplesmente (minha cabeça é bem cartesiana) porque somos todos diferentes. Amém. Uns gostam de sal, outros de açúcar, agridoce. De branco, cinza, azul, preto, amarelo. Nascem com nariz grande, peito pequeno, bunda quadrada. Ainda bem que não nascemos todos em série. Precisaríamos sempre de recall porque algum humano saiu do padrão. Coisa chata esse tal de padrão. Todos olharem dia e noite para a tela de um computador, ok. Uma criança olhar para o teto? Meu deus, tem problema. Menina que não gosta de laço na cabeça? Menino que pega a Barbie da irmã? Mulher que dirige? Homem que lava a louça? Gente, respira. Todo mundo pode e deve fazer tudo. É como se criássemos uma sociedade que mulheres só voam. Homens só caminham. E ninguém se encontra. Sei que estou aqui enrolando vocês. O pulo do gato ou a inflexão da narrativa é que entre sonhar-viver-fazer existe só o caminho da escolha. Agora junta tudo. Vamos lá, put your hands in the air: seu sonho lá de cima, seu gosto de sal ou açúcar, o que move seu coração e a determinação que você tem todos os dias para aguentar uma reunião chata, num trabalho mala. É só escolher o que se quer fazer, o que move seu coração e puxar a determinação pra cá. Cubo mágico completo, parabéns. Se é fácil? Nem venha me dizer isso. Estou aqui com um baita torcicolo e há semanas trabalho mais de doze horas por dia. Seja martelando, pintando, escrevendo pro blog, lendo e suando para conseguir me qualificar no mestrado. A sensação de realizar um sonho é essa. Trabalho depois de trabalho. Um torcicolo aqui e ali por conta da ansiedade que travam os ombros. A cabeça a mil com os detalhes. Parece o trabalho chato de sempre né? Pois não é. Porque é meu sonho. Sei que pago contas altas por ele. A família longe. Um grande amor que abri mão. As finanças quebradas são passageiras. A casa que está uma bagunça pela falta de tempo. Mas, me pergunta do sorriso no rosto que vem do estômago? Neste sábado, 18 de outubro, às nove da manhã abro as portas da minha loja de Stand Up Paddle, ao lado da minha sócia-mor, grande amiga e que sou fã de pedir autógrafo. É um dos maiores sonhos da minha vida sendo realizado. Como estou? Pois é. Ainda estou tentando responder. Um torcicolo que dói, gente que faz falta pra dividir o momento e vai estar longe. Gente que eu amo também vai estar perto. Eu vou estar na água. Só vou saber descrever, depois que tudo começar. Ah! Sim, claro. Já começou. Mas é assim mesmo. Sempre começa de novo. Esse é o grande barato.

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Sou uma jornalista quase quarentona e estou mudando minha vida depois de a ter bem estruturada, carreira a mil por hora, casa própria, cachorros e papagaio. O papagaio não é verdade. Mas já tive que cuidar de uma tartaruga – o que serve para o momento. Esse blog nada mais é que uma autoterapia e, talvez, quem esteja pensando em dar uma guinada de muitos graus consiga se divertir por meio dos meus relatos e opiniões pessoais. Ou não. O fato é que estou fazendo uma mudança de vida e resolvi estar escrevendo enquanto isso estiver acontecendo porque, apesar de não ser operadora de telemarketing, a vida acontece em gerúndio. Sempre e inevitavelmente.

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