Por: A Vida Acontece em Gerúndio
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Se não tem peito praguentar uma bala, imagina tiroteio todo

23/10/2014

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Estava agora assistindo à novela das nove. Sim sou noveleira. Adogo. E esse dramalhão Enrico homofóbico que não quer mais se casar por medo de enfrentar os convidados por ter um pai publicamente bissexual me lembrou de uma atitude que me é bastante cara na vida. Assumir o que se faz, o que se quer. Assumir em si. Isso tem tudo a ver com essa historiazinha da brava batalha entre medo versus coragem. Enrico, querido, você comete um grave erro. Vou te analisar pra me explicar. Ao sentir uma vergonha danada de seu pai que mantinha um relacionamento homoafetivo fora do casamento e com anuência da esposa você se mostrou um grande covarde. Você precisa entender, darling, que entre ser homem e ter hombridade há um caminho longo e tortuoso e restrito aos corajosos de saco roxo e não enrugado como só deve ser o seu. Ao fugir de sua escolha de se casar com a garota bonita que você diz que ama, somou vários episódios vergonhosos para seus ombros em vez de limá-los logo no início. Se tivesse coragem, hombridade e humanidade teria ficado de bem com sua família e se casado com Clarinha amor da vida. Estaria tudo perfeito. Mas, sua falta de coragem… arrmuléque… te faz só acumular vergonha uma atrás da outra. E nem me vem com blablabla de culpar papai. Negócio é contigo, cara pálida. Se você não tem peito pra guentar uma bala, imagina tiroteio todo! Tácabado, mozinfio.

Aí é que faço toda ligação elétrica com o assunto. Primeiro é necessário algo como berço. Não estou falando do sentido aristocrático da coisa. É aquele Berço que te dá uma educação bacana porque te deu e ensinou sobre amor, prioridades, respeito, honestidade, solidariedade, algum tipo de espiritualidade. Não tô falando sobre ler e escrever e estudar em Harvard. Tô dizeno sobre aquela outra educação, aquela ali daquele berço de amor. Coragem pra você assumir qualquer coisa na vida. Tipo o sonho de ter um Gurgel. Cara, quem quer ter um Gurgel na vida? Coisa estranha. Mas tudo bem se é o que te faz feliz e se é você quem vai pagar. Quer torcer pro América de Goiás e pagar cents pilas na camisa oficial. Ok, vai lá. Aliás, é preciso coragem para aceitar que a decisão do outro não é a mesma que a sua desde que você saiba o que significam atitudes como coragem, escolha, liberdade e por aí vai. É aquela cantiga de roda que inventei pra minha vida. Quem tem coragem, sabe fazer escolhas, quem tem coragem para fazer escolhas, sabe respeitar as dos outros e viver em harmonia com isso e, quem faz isso, assume o que faz com todos os bônus e ônus. Não estou falando de um mundo todo rosa. Nem sempre a gente tem certeza, nem sempre a gente tem coragem, nem sempre a gente tem. Negócio é só saber o que se quer e peitar pra ver. Se der errado é preciso insistência, se tiver certeza é necessário persistência e se quer ver acontecer é imprescindível somar a paciência. Se não rolar, resiliência. No mais do mesmo e de sempre, mantenha a compaixão. Porque no fim, quase tudo dá. E se você quer mesmo ver acontecer, vai lá, decide e faz. A culpa, pra mim, é o pior dos castigos. É o arrependimento por não ter escolhido. É a certeza que não assumi a própria escolha. Coragem, Enrico, não acumula vergonha, minin. Isso não te protege, só te aprisiona. Sai desse corpo que não te pertence e vai ser feliz.

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Sou uma jornalista quase quarentona e estou mudando minha vida depois de a ter bem estruturada, carreira a mil por hora, casa própria, cachorros e papagaio. O papagaio não é verdade. Mas já tive que cuidar de uma tartaruga – o que serve para o momento. Esse blog nada mais é que uma autoterapia e, talvez, quem esteja pensando em dar uma guinada de muitos graus consiga se divertir por meio dos meus relatos e opiniões pessoais. Ou não. O fato é que estou fazendo uma mudança de vida e resolvi estar escrevendo enquanto isso estiver acontecendo porque, apesar de não ser operadora de telemarketing, a vida acontece em gerúndio. Sempre e inevitavelmente.

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