Por: Fala, Zanfra!
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Sinais do desgaste

04/02/2019

Fui outro dia ao Sesc renovar mais uma vez minha carteirinha de usuário da terceira idade. A atendente perguntou se meu celular era o mesmo e se meu endereço era o mesmo, e eu respondi – rindo, é claro! – que a única coisa que tinha mudado em relação ao ano anterior é que eu estava um ano mais velho.

Logo em seguida, e ainda com o sorriso da piadinha nos lábios, percebi estarrecido que, além do celular e do endereço, também a piadinha sem graça continuava a mesma: eu já a havia feito nas duas renovações anteriores!

E aí a gente começa a pensar: é comum, com o avanço da idade, ficar repetindo piadinhas, principalmente diante de mulheres mais novas? essa repetição é consequência do enfraquecimento da memória ou da diminuição da criatividade? se é um problema da memória, não seria normal que eu não me lembrasse de ter contado a mesma piadinha três vezes seguida?

E por aí vai... Às vezes, sinto-me com a disposição – e o charme sedutor – de alguém que ainda não chegou aos 50 anos, embora esteja às portas do sexagésimo terceiro aniversário. Mas às vezes me surpreendo com essas pequenas falhas de desempenho, que deixam claro que a marcha para a senectude não parou e que meu destino não vai ser diferente dos milhões de idosos cuja única atividade construtiva vai ser alimentar pombos numa praça.

Tento levar com bom humor, como meus queridos leitores podem perceber por estas linhas, mas a coisa é séria. Observo meu sogro, nas limitações de seus 84 anos, andando como se tivesse os tornozelos atados por correntes – como os presos perigosos – e me pergunto até quando vou fazer jus ao meu apelido de ‘vento sul’. Ainda consigo ser lépido e fagueiro, continuo fazendo seis quilômetros por hora na caminhada, mas a pergunta insiste em não sair da cabeça: até quando?

O corpo humano tem prazo de validade. Não dá simplesmente para trocar as peças que se desgastam e continuar rodando como um motor de Fusca retificado, mesmo porque até os motores retificados têm suas limitações. Manter a atividade física ajuda a adiar a derrocada, mas um dia a estrutura vai falhar e o corpo vai deixar de responder aos comandos que a cabeça estará enviando.

Isso se a cabeça não tiver recebido primeiro os efeitos da deterioração e já não estiver enviando os comandos. Quem sabe se os primeiros sinais desse declínio, de que a cabeça não está mais correspondendo à função original, não seriam a repetição de piadinhas para as moças do Sesc...

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