Por: Fala, Zanfra!
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Teoria da conspiração

29/04/2019

O estimado leitor já ouviu falar em teoria da conspiração?

A onipresente e nem sempre confiável Wikipedia chega a defini-la como um distúrbio psicológico que serve para descrever acontecimentos que poderiam ser explicados de formas mais racionais:

“As origens psicológicas propostas incluem projeção, a necessidade pessoal de tentar explicar ‘um evento significante [com] uma causa significante’, e o resultado de vários tipos e estágios de transtornos de pensamento (disposição paranoica, por exemplo), que vão desde as doenças mentais graves até as diagnosticáveis”, define a enciclopédia.

Creio, porém, que esta e outras definições esbarram numa possibilidade, ainda que remota, de a ação conspiratória ser real. Quem não se lembra do filme de Richard Donner em que o maluco taxista Jerry Fletcher (Mel Gibson) acaba descobrindo, entre tantas histórias disparatadas, uma conspiração real!

Pois bem. Achei na semana passada que estava sendo vítima de uma conspiração aérea, unicamente para que tomassem R$ 1,00 de meu rico dinheirinho. Parece louco?

Então, acompanhe: viajei a São Paulo para o lançamento de meu livro O beijo de Perséfone e no voo o serviço de bordo me ofereceu um capuccino a R$ 6,00. Como só tinha R$ 7,00 trocados, o comissário ficou de me devolver R$ 1,00 de troco dali a pouco.

Mas olha que acabou de passar o carrinho – e meu esperado troco – quando os alto-falantes mandaram afivelar os cintos e avisaram que o serviço de bordo seria interrompido, porque passaríamos por turbulências. Até aí, tudo bem!  Que voo não passa por turbulências?

Só que as turbulências provocaram apenas ligeiros tremeliques no aparelho, algo que sequer justificaria a necessidade do cinto de segurança, e muito menos a interrupção do serviço de bordo. Só se justificaria se quisessem evitar que o rapaz voltasse com meu troco...

Dali a pouco, o rapaz voltou sem o carrinho para entregar um copo com alguma coisa dentro a uma passageira próxima de mim. Em seguida, voltou com uma maquininha de passar cartão eletrônico – será que essas maquininhas também operam no ‘modo avião’? – para cobrar alguma coisa de alguém. Quando pensei em interceptá-lo, a voz do alto-falante voltou a mandar que afivelássemos os cintos, porque novamente passaríamos por turbulências. E chegou a mandar que colocássemos nossos copos usados no chão à frente, porque sequer para recolher material usado o carrinho do serviço de bordo voltaria.

Como as turbulências novamente não passassem de uma pequena tremedeira, comecei a achar que o piloto fazia parte do esquema: desviava a rota em busca de turbulências, apenas para evitar que meu troco fosse devolvido. Raciocine comigo: um Airbus A320 leva 156 passageiros – R$ 1,00 de cada um, com dez voos diários de curta duração, em quanto tempo a tripulação toda não estaria rica, a ponto de investir em mais A320 e ampliar o negócio?

Dez minutos depois, enquanto eu ainda organizava os dados mentalmente para calcular os ganhos da quadrilha, o comissário veio à minha poltrona e me entregou uma nota de R$ 2,00, porque não tinha conseguido arrumar uma moeda de R$ 1,00. E aproveitou para levar o copo vazio onde estivera o capuccino. Pensei em pedir-lhe desculpas por meus maus pensamentos, mas achei que poderia complicar a situação.

Passei o resto da viagem pensando na definição de paranoia...

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