Por: Cronicidade
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Veneno e antídoto

20/09/2013

Cena 1: Hora do rush. Dirijo de volta para casa lentamente, no ritmo do trânsito (cada vez pior, com perspectivas ainda piores) do bairro Itacorubi. Na frente do cemitério, como uma lembrança do que nos aguarda, um ônibus surge na esquerda e se enfia na frente do meu carro para entrar na Rodovia Admar Gonzaga. Eu freio para ele passar e evitar a batida. Conto até dez, tudo bem. Uma caminhonete dirigida por mais um “esperto” da manada aproveita para me fechar e ganhar meio minuto no seu trajeto diário. Respiro fundo, tudo bem. Outra caminhonete, logo atrás de mim, dirigida por um velho %#$@#, cola na traseira do meu carro e começa a piscar o farol alto freneticamente. Não deu mais para ficar tudo bem... De novo me vi em meio a uma discussão no trânsito, aquela estupidez mútua de sempre. Quem dirige por aí sabe como andam as coisas. Cem metros adiante, quando a discussão com o velho já chegava ao fim, de repente outro carro corta pelo acostamento e me dá uma fechada de cinema, quase arrancando a minha lateral. Pode acreditar. Vou atrás dele e dou-lhe uma fechada de troco. Penso com desgosto no fato de fazer parte da espécie humana. Penso na manada motorizada que se estende por todos os lados, nervosa e submissa. Penso no cemitério que ficou logo ali atrás... Não posso mais adiar a venda do meu carro. Não dá mais para fazer parte disso.


Cena 2: Chego em casa e sou recepcionado pelo sorriso banguela da minha caçula recém nascida. Penso: que se dane o resto.

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Autor: Rafael Leiras Cronicidade é o mesmo que periodicidade, ou seja, o estado do que ocorre em tempos determinados. Esta palavra incomum, esquecida nos dicionários, também parece fundir as ideias de crônica e cidade – dois territórios onde transcorre a vida, com seus ciclos eternos, seus tempos determinados. Cronicidade dá nome a este espaço, abrigo de fotografias e textos, livres de rótulos ou classificações. Simples registros do cotidiano da nossa época. Rafael Leiras é jornalista, escritor e roteirista. Nas redações, trabalhou como repórter em jornais do Rio de Janeiro e de Florianópolis.

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