Economia e Negócios, Grande Floripa, Política, Social - 20 Jun 2013 07:00

Especialistas de Florianópolis avaliam causas e efeitos das manifestações

O momento das manifestações no País - e em todo o mundo - pede uma reflexão mais ampla, além do transporte público
Por: Arielli Secco
 
Especialistas de Florianópolis avaliam causas e efeitos das manifestações Primeira manifestação em Florianópolis foi realizada na terça-feira (18) (Foto: Matheus Guedes/Arquivo Pessoal)

Os protestos espalhados por várias capitais brasileiras - e também em todo o mundo - despertam o olhar para uma análise social, política e econômica de toda a situação. Cientistas e pesquisadores destacam, principalmente, a importância que as redes sociais tiveram na proporção que os movimentos conseguiram agregar desde o início de junho.

Seja na praça Taksim (em Istambul) ou em Florianópolis, a opinião é unânime entre cientistas políticos e economistas a respeito das mobilizações. Os movimentos surpreenderam tanto a governantes quanto a estudiosos. Sob a ótica social, a internet é vista como uma propulsora dos protestos.

O Tudo Sobre Floripa conversou com Eduardo Guerini, cientista político de Florianópolis e professor, a fim de contextualizar o que pode ser considerado um novo fenômeno social. De acordo com Guerini, há diferentes grupos de interesse envolvidos nas mobilizações e o que mais chama a atenção é de que não há uma força partidária atrás das cortinas.

Eduardo Guerini é cientista político (Foto: Arquivo Pessoal)Eduardo Guerini é cientista político (Foto: Arquivo Pessoal)

- A população sublimemente está dizendo “Vocês não nos representam mais!”. As instituições brasileiras no aparato do Estado e da Sociedade organizada não conseguem dar conta da realidade perversa e violenta que a maioria da população percebe no seu cotidiano-, diz o professor.

Os 20 centavos da passagem de ônibus se traduziram em descontentamento com serviços básicos de saúde, educação, transporte, segurança pública e, principalmente, o aumento considerável da corrupção em todas as instâncias da sociedade brasileira. Foi o que levou a população a literalmente ir às ruas. 

- Existe um caldo de insatisfação por motivos espontaneístas -, declara Guerini. – A questão da tarifa do transporte público foi detonadora.

Sob o ponto de vista político, o cientista afirma que “há uma crise de representação atual em decorrência dos partidos políticos que começaram a dar as costas aos movimentos populares. A expressão popular é resultado de um mundo baseado politicamente no capital. Há uma lógica do sistema financeiro internacional para que uma agenda mínima de representantes seja cumprida a fim de atender os interesses financeiros de cada país.”


O mesmo capital que comanda também divide opiniões

A análise de economistas sobre a questão é um pouco diferente. Segundo o supervisor técnico do Departamento Intersidical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese/SC), José Álvaro Cardoso, o movimento é, ao mesmo tempo, homogêneo e heterogêneo. São pessoas de classes econômicas e condições totalmente diferentes unidas em prol de motivos diversos, que variam de acordo com as características de cada cidade e região.

José Álvaro Cardoso é economista e supervisor técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos do Dieese (Foto: Arquivo Pessoal)José Álvaro Cardoso é economista e supervisor técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos do Dieese (Foto: Arquivo Pessoal)

- As manifestações no Brasil, curiosamente, surgem em um momento em que os indicadores econômicos são positivos, apesar do crescimento baixo apresentado pelo País desde 2012 -, detalha Cardoso. - Do ponto de vista puramente da economia, você não consegue explicar o motivo fenômeno. Não tem inflação alta e estamos no melhor momento em termos de geração de emprego. Temos um dos registros mais altos de empregos formais dos últimos tempos. De qualquer forma, isso explica por que as pessoas decidiram ir às ruas-, argumenta José Álvaro.

Cardoso analisa que é justamente no momento em que o trabalhador tem uma vida estabilizada que se sente seguro para protestar. Na opinião do economista, porém, falta ao movimento uma liderança. Cardoso acredita que os protestos tendem a perder a força por conta disso, mas não nega que seja um momento encorajador para que as pessoas se mobilizem. Ele observa ainda que o mais interessante é que essa mobilização tem acontecido em países desenvolvidos, especialmente na Europa.

- Tem uma base econômica nos movimentos brasileiros quando entramos em questão da redução da tarifa de ônibus- diz o economista.

Confira as entrevistas na íntegra


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