Economia e Negócios, Florianópolis, Geral - 21 Out 2019 20:10

Cesta básica em Floripa foi a quarta mais cara do Brasil entre agosto e setembro

Custo da cesta diminui em 16 capitais
Por: Direto da Redação TSF
 

Florianópolis apresentou entre agosto e setembro deste ano a quarta cesta básica mais cara entre as capitais brasileiras. O estudo foi divulgado pela Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, realizada pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE) em 17 capitais. Em Floripa, a cesta básica foi calculada em R$ 454,94, o que ficou atrás apenas de São Paulo (R$ 473,85), Porto Alegre (R$ 458,29) e Rio de Janeiro (R$ 458,21).

Com base na cesta mais cara que, em setembro, foi a de São Paulo, e levando em consideração a determinação constitucional que estabelece que o salário mínimo deve ser suficiente para suprir as despesas de um trabalhador e da família dele com alimentação,
moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência, o DIEESE estima mensalmente o valor do salário mínimo necessário. Em setembro de 2019, o salário mínimo necessário para a manutenção de uma família de quatro pessoas deveria equivaler a R$ 3.980,82, ou 3,99 vezes o mínimo de R$ 998,00.

Em agosto de 2019, o piso mínimo necessário correspondeu a R$ 4.044,58, ou 4,05 vezes o mínimo vigente. Já em setembro de 2018, o valor necessário foi de R$ 3.658,39, ou 3,83 vezes o salário mínimo, que era de R$ 954,00.

Cesta básica x salário mínimo

Em setembro de 2019, o tempo médio necessário para adquirir os produtos da cesta básica totalizou 88 horas e 25 minutos, e, em agosto, 90 horas e 24 minutos. Em setembro de 2018, quando o salário mínimo era de R$ 954,00, o tempo médio foi de 85 horas e 35 minutos. Quando se compara o custo da cesta e o salário mínimo líquido, ou seja, após o desconto referente à Previdência Social, verifica-se que o trabalhador remunerado pelo piso nacional comprometeu, em setembro, 43,68% da remuneração para adquirir os produtos.

Esse percentual foi inferior ao de agosto, quando ficou em 44,66%. Em setembro de 2018, quando o salário mínimo valia R$ 954,00, a compra demandava 42,29% do montante líquido recebido. Entre agosto e setembro de 2019, foi observada tendência de queda nos preços do tomate, da batata, pesquisada na região Centro-Sul, do feijão e do café em pó. Já as cotações do óleo de soja e da banana aumentaram na maior parte das cidades.

O preço médio do tomate diminuiu em 16 capitais. As quedas variaram entre -37,26%, em Brasília, e -5,36%, em Natal. Em Recife, houve alta de 5,70%. Em 12 meses, quase todas as capitais apresentaram taxas positivas, que variaram entre 5,91%, em Florianópolis, e 51,88%, em Recife. As diminuições ocorreram em Goiânia (-19,68%) e Brasília (-9,22%). O calor fez com que os tomates maturassem mais cedo, o que elevou a oferta e diminuiu o preço no varejo.

A batata, pesquisada na região Centro-Sul, teve o preço médio reduzido em 10 cidades, com taxas que oscilaram entre -24,95%, em Brasília, e -7,12%, em São Paulo. Em 12 meses, no entanto, as variações foram positivas e muito altas, principalmente em Porto Alegre (110,55%), Belo Horizonte (105,00%) e Curitiba (104,65%). Apesar da baixa qualidade de parte das batatas ofertadas, a safra de inverno abasteceu o mercado e diminuiu o preço no varejo. Em setembro, o preço médio do feijão diminuiu em 15 cidades.

Já o feijão preto, coletado nas capitais do Sul, em Vitória e no Rio de Janeiro, aumentou nesta última cidade (0,95%) e teve queda nos outros municípios: Curitiba (-7,62%), Vitória (-4,64%), Florianópolis (-4,29%) e Porto Alegre (-1,90%). Em 12 meses, o preço médio do grão carioquinha acumulou alta em todas as capitais, com taxas que variaram entre 31,32%, em São Paulo, e 56,96%, em Goiânia. As variações acumuladas do tipo preto também foram positivas, mas em patamares menores: entre 5,12%, em Vitória, e 20,39%, em Florianópolis. A oferta do grão carioca esteve normalizada na maior parte do mês. O bom nível do tipo preto ofertado deveu-se à importação do grão.

Houve redução também no preço médio do quilo do café em pó em 13 cidades. As quedas oscilaram entre -7,02%, em Curitiba, e -0,09%, no Rio de Janeiro. Já as altas foram registradas em Goiânia (4,47%), Brasília (2,71%), Florianópolis (1,33%) e São Paulo (0,99%). Em 12 meses, o valor subiu apenas em Goiânia (7,87%) e diminuiu nas demais cidades, com destaque para Aracaju (-16,53%) e Campo Grande (-15,91%). A queda nos preços do café no varejo são resultantes do início da safra, que aumenta a oferta do grão; da retração dos produtores à espera de melhores preços; das incertezas em relação ao clima, que pode afetar as floradas; das oscilações do preço internacional e do dólar.

Houve aumento do preço médio da lata de óleo de soja em todas as capitais, entre agosto e setembro. As taxas oscilaram entre 0,25%, em Recife, e 8,01%, em Vitória. Em 12 meses, o produto teve alta em 13 capitais, com destaque para Goiânia (26,04%) e Curitiba (9,07%). Em Campo Grande e Salvador, não houve variação. Em outras duas cidades, foram observadas reduções: Brasília (-1,81%) e Rio de Janeiro (-0,27%). Houve aumento da demanda do óleo de soja para produção de biodiesel e, com a diminuição da oferta, aumentou o preço no varejo.

O valor médio da banana subiu em 15 capitais. A pesquisa coleta os tipos prata e nanica e faz uma média ponderada dos preços. As altas oscilaram entre 1,42%, no Rio de Janeiro, e 20,66%, em Curitiba. As reduções foram anotadas em Fortaleza (-5,86%) e Vitória (-2,38%). Em 12 meses, o preço da fruta subiu em 16 cidades, com destaque para Belo Horizonte (64,71%), Vitória (48,61%) e Porto Alegre (36,97%). A única taxa negativa acumulada foi registrada em Aracaju (-9,98%). A baixa oferta da banana prata e da nanica explicou o comportamento altista no varejo.

Florianópolis
Em setembro, o preço médio da cesta de alimentos em Florianópolis ficou em R$ 454,94, o que significou redução de -2,00% em relação ao valor de agosto. Foi o quarto maior preço registrado entre as 17 capitais pesquisadas. Em 12 meses, a variação acumulada foi de 4,47%. Nos nove primeiros meses de 2019, ficou em -0,63 %. Oito produtos apresentaram aumento de preço entre agosto e setembro: banana (5,84%), farinha (2,90%), óleo de soja (2,86%), leite integral (2,55%), açúcar (1,82%), café em pó (1,33%), arroz (0,91%) e pão francês (0,50%). Outros cinco produtos tiveram o preço médio reduzido: tomate (-14,01%), batata (-13,62%), feijão (-4,29%), manteiga (- 3,09%) e carne de primeira (-0,42%).

Em 12 meses, os oito itens com alta acumulada foram: batata (87,86%), feijão (20,39%), banana (15,15%), açúcar (6,06%), tomate (5,91%), óleo de soja (5,41%), manteiga (5,07%) e pão francês (1,01%). As taxas acumuladas foram negativas para: o café em pó (-14,80%), leite integral (-10,32), arroz (-5,13%), farinha (- ,97%), carne de primeira (-0,38%).

O trabalhador florianopolitano cuja remuneração equivale ao salário mínimo necessitou cumprir jornada de trabalho de 100 horas e 17 minutos, em setembro de 2019, para comprar a cesta. Em agosto, o tempo necessário foi de 102 horas e 20 minutos. Já em setembro de 2018, a jornada média era de 100 horas e 25 minutos. Em setembro de 2019, o custo da cesta em Florianópolis comprometeu 49,55% do salário mínimo líquido (após os descontos previdenciários), percentual menor que o de agosto (50,56%). Em setembro de 2018, equivalia a 49,62%.


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