Cultura, Eventos, Florianópolis, Turismo - 26 Jun 2020 16:41

Edição 2020 do Festival Transforma terá cinco produções de Florianópolis

Evento é considerado o maior festival de Cinema LGBTI+ de Santa Catarina
Por: Direto da Redação TSF
 
Edição 2020 do Festival Transforma terá cinco produções de Florianópolis Cartaz de "Apenas O Que Você Precisa Saber Sobre Mim”, da estreante Maria Augusta Villalba Nunes.(Foto: divulgação)

Por Róbinson Gambôa

Cinco filmes dirigidos por cineastas de Florianópolis vão participar da 3ª edição do Transforma, considerado o maior festival de Cinema LGBTI+ de Santa Catarina, e um dos mais relevantes do Brasil. O Festival está confirmado para acontecer em Floripa no segundo semestre deste ano, mas as datas ainda não foram definidas, por conta da pandemia.

No total, foram selecionadas 34 produções, que representam 10 estados brasileiros: Bahia, Ceará, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, e São Paulo, além de Santa Catarina.

Um dos destaques entre os catarinenses na parte competitiva será o filme “As Rendas de Dinho”, da jornalista Adriane Canan, que compete na Mostra PRECURSORXS. O curta-documentário participou em fevereiro da 23º Mostra de Cinema de Tiradentes (MG). Gravado totalmente no bairro Pântano do Sul em maio de 2019, o filme tem a equipe composta majoritariamente por mulheres, como a excelente fotografia de Débora Klempous e retrata o universo de Ediwaldo Pedro de Oliveira, o Dinho, o primeiro e um dos únicos rendeiros da Ilha.

Dinho, personagem do filme da jornalista Adriane CananDinho, personagem do filme da jornalista Adriane Canan

A renda é um fio condutor de uma espécie de talk show sobre a extraordinária história de vida do personagem, hoje com 63 anos. Dinho rompeu cedo com protocolos tradicionais. Enquanto os outros garotos de uma das mais tradicionais comunidades de Florianópolis, o Pântano do Sul, iam para alto-mar e já começavam a lida com as redes de pesca, ele aprendia a fazer renda de bilro, às escondidas, com uma prima. Cedo também aprendeu o que é o preconceito relacionado à orientação sexual. Saiu de Floripa, viveu em São Paulo, Toronto e Vancouver. Foi garçom, dançarino e professor de lambada no Canadá. De volta ao “Pântisul”, foi dono de um bar onde, entre as mesas e o balcão, tramava sua renda. Também foi motorista de ambulância e precursor na organização do Carnaval e nos desfiles de fantasia no Pântano.

Adriane se formou na UFSC, com especialização em Jornalismo, Novas Tecnologias e Linguagens Contemporâneas, pela Unochapecó. Trabalhou na Rádio FM Cultura de Porto Alegre e também foi repórter na Agência Carta Maior, produzindo matérias para rádio on-line. Também fez um curso de Roteiro Avançado na Escola Internacional de Cinema e Televisão de San Antonio de Los Baños, em Cuba, e desenvolve projetos em documentário e ficção.

Mostra Novos Olhares
Na Mostra Novos Olhares, serão dois filmes a competir por Floripa. Um deles será “Projeção Queer”, de Gabriel Turbiani. O outro, é o documentário “Zara”:  de Daphine Xavier.

Em “Projeção Queer”, Gabriel consegue em apenas 11 minutos expressar a dicotomia entre o indivíduo LGBT e os padrões da sociedade ocidental de forma poética, através de projeções e relatos de diferentes histórias sobre crescer e conquistar seu espaço no mundo.

Em “Zara”, filme feito a partir de um trabalho de TCC da cineasta – que recebeu anota máxima da banca – Daphine conta a história de Zara Dobura, uma artista transsexual que se expressa de diversas formas como teatro, dança, canto, desenho e performance. Agora em junho, Zara recebeu a Menção Honrosa do III Assimetria, Festival de Cinema Universitário.

- Esse filme é sobre a sua forma de se ver e ser vista no mundo, sobre a disfórica afirmação e anulação de si mesma envolta num contexto caótico e discriminatório -, salientou Daphine.

- Fazer esse filme foi uma experiência intensa e de muita reflexão. Fico muito feliz de ter realizado esse filme e tenho muito orgulho de todo o processo (pra quem me conhece sabe como isso é difícil pra mim) – completou ela.

Panorama
Na Mostra Panorama, a mais disputada do Transforma, os representantes catarinenses serão “Selma Depois Da Chuva”, de Loli Menezes, gaúcha de Santa Maria radicada em Floripa, e o curta-metragem “Apenas O Que Você Precisa Saber Sobre Mim”, da roteirista Maria Augusta Villalba Nunes, matogrossense também radicada em Florianópolis, que faz sua estreia na direção.

Em “Selma Depois da Chuva”, Loli Menezes conta a história de uma mulher trans que construiu sua vida afastada da família. Um dia ela recebe um chamado para ir ao encontro de sua mãe idosa, que sofre de Alzheimer e precisa de tratamento. Nesse encontro, perdidas entre memórias confusas, as duas mulheres lembram dores e desejos esquecidos, e revisitam culpas e afetos perdidos.

Cartaz de “Selma Depois da Chuva”, onde a cineasta Loli Menezes conta com poesia a história de uma mulher trans que construiu sua vida afastada da família. (Foto: divulgação)
Cartaz de “Selma Depois da Chuva”, onde a cineasta Loli Menezes conta com poesia a história de uma mulher trans que construiu sua vida afastada da família. (Foto: divulgação)

Produzido pela empresa Novelo Filmes, “Apenas O Que Você Precisa Saber Sobre Mim” foi selecionado nesse ano para o IV Cine Paraíso - Festival de Cinema de Juripiranga. Em janeiro, ganhou uma pré-estreia em Floripa, no CIC, em janeiro, com presença do elenco e equipe de produção. O filme conta a história de Laura e Fábio, dois adolescentes que se conhecem depois de um esbarrão na pista de skate. A narrativa condensa os universos da adolescência, do skate e da transexualidade ao abordar temas como relacionamento, amadurecimento, paixão, discussão de gênero e empoderamento.

Antes de se aventurar como diretora em sua primeira jornada, Maria Augusta Villalba Nunes se notabilizou como roteirista de “A Menina Só”, “Quem Não Tem Cão”, “Flecha Dourada”, e da série de ficção “Johnny Fever”.

Daphine Xavier no set de Zara: Menção Honrosa no Festival Assimetria. (Foto: divulgação)Daphine Xavier no set de Zara: Menção Honrosa no Festival Assimetria. (Foto: divulgação)

- Para a nossa surpresa e contentamento, foram mais de 90 filmes inscritos, de 17 estados brasileiros, contemplando as cinco regiões do país. A curadoria selecionou trabalhos magníficos que proporcionarão um processo pedagógico de educação sexual e de gênero através do Cinema. Buscamos através dos escolhidos apresentar a diversidade presente na população LGBTI+ (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transgêneros, Intersexuais), com maior atenção para a comunidade de Transsexuais e Travestis, que acabam por diversas vezes não sendo representadas em obras audiovisuais ou em eventos do gêneros -, comemora Arthur Gomes, membro da organização do festival.

Segmentada em cinco categorias – Mostra Precursorxs, Cinema e Gênero, Novos Olhares, Mostra 44 e Panorama, o IIIº Transforma contemplará também outras cidades catarinenses, com sessões itinerantes em Chapecó, Lages, Criciúma, Blumenau e Joinville.

- Nosso objetivo, desde a primeira edição, é que o festival possa apresentar a diversidade sexual e de gênero que preencha as lacunas do existir. Nessa terceira edição, além de período do Festival, teremos também a Mostra Itinerante que passará por cinco cidades de cada mesorregião do Estado, então, esperávamos que os filmes inscritos pudessem representar, abordar, questionar e trazer para a cena, vivências não hegemônicas e dissidentes do gênero e da sexualidade, potencializando o encontro com a arte para corpos que muitas vezes não possuem referencial de vivências distintas -, reitera Thomas Dadam, responsável pela programação e produtor do evento.

Loli Menezes, no set de "Selma": drama familiar usa linguagem criativa (Foto: divulgação)Loli Menezes, no set de "Selma": drama familiar usa linguagem criativa (Foto: divulgação)

Frente conjunta
O IIIº Transforma é um projeto realizado através do edital Prêmio Catarinense de Cinema 2019, outorgado pela Fundação Catarinense de Cultura (FCC) e Governo do Estado de Santa Catarina. Organizado pela BAPHO Cultural (produtora cultural LGBTI+) e a Associação em Defesa dos Direitos Humanos com Enfoque na Sexualidade - ADEH, o festival conta também com o apoio do Museu da Imagem e do Som de Santa Catarina – MIS/SC e da Vitrine Filmes.

- Através destas parcerias, impulsamos a formação de plateia para a comunidade “T”. É um trabalho que vem acontecendo desde antes da primeira edição do festival, o que tem reverberado muito nas afetações e nos diálogos pós-evento. Vale destacar também que a pluralidade de identidades da comunidade LGBTI+ pelo país é algo que pontuamos no processo curatorial do Festival -, reitera Thomas.

Paralelamente ao festival, a organização da III Transforma está potencializando uma campanha virtual inspiradora, com foco nas vivências e narrativas plurais da comunidade LGBTI+. Com a participação de rostos conhecidos e anônimos, como Linn da Quebrada, Léo Fressato, Jup do Bairro, Jenn Lopes, Lirous Kyo, Vulcanica Pokapora, entre outros personagens poderosos, a ação “Eu Transformo” está movimentando as redes sociais do evento.

Selecionados 2020

MOSTRA “PRECURSORXS”
As Rendas de Dinho: Dir. Adriane Canan (Santa Catarina)
Ruth: Dir. Igor Dalbone (São Paulo)

Jornalista Adriane Canan resgatou a história do rendeiro Dinho (Foto: Facebook / divulgação)Jornalista Adriane Canan resgatou a história do rendeiro Dinho (Foto: Facebook / divulgação)

MOSTRA NOVOS OLHARES
Projeção Queer: Dir. Gabriel Turbiani (Santa Catarina)
Zara: Dir. Daphine Xavier (Santa Catarina)
Aquele Infindável Mês De Agosto: Dir. R.B. Lima (Pernambuco)
Haiku De Um Poeta Morto: Dir. Akira Kamiki (São Paulo)
Papinha De Goiaba: Dir. Tiago Fonseca (Rio de Janeiro)
ProfanAÇÃO: Dir. Estela Lapponi (São Paulo)

MOSTRA PANORAMA
Selma Depois Da Chuva: Dir. Loli Menezes (Santa Catarina)
Apenas O Que Você Precisa Saber Sobre Mim: Dir. Maria Augusta V. Nunes (Santa Catarina)
Aquele Casal: Dir. William de Oliveira (Paraná)
Auto Falo: Dir. Caio Dornelas (Pernambuco)
Baunilha: Dir. Leo Tabosa (Pernambuco)
Copacabana Madureira | Dir. Leonardo Martinelli (Rio de Janeiro)
Estamos Todos Na Sarjeta, Mas Alguns De Nós Olham As Estrelas: Dir. João Marcos de Almeida e Sergio Silva (São Paulo)
Haus: Dir. Lucas Paixão (Pará)
Hoje Eu Não Fico No Vestiário: Dir. Nicole Lopes (Paraná)
Homens Invisíveis: Dir. Luis Carlos de Alencar (Rio de Janeiro)
Marco: Dir. Sara Benvenuto (Ceará)
Marie: Dir. Léo Tabosa (Pernambuco)
Não Me Chame Assim: Dir. Diego Migliorini (São Paulo)
Perifericu: Dir. Nay Mendl, Rosa Caldeira, Stheffany Fernanda e Vita Pereira (São Paulo)
Vinde Como Estais: Dir. Rafael Ribeiro e Galba Gogóia (Rio de Janeiro)

(Foto: divulgação)(Foto: divulgação)

MOSTRA “CINEMA DE GÊNERO”
Ada: Dir. Rafaela Uchoa (Bahia)
Alcateia: Dir. Carolina Castilho (São Paulo)
Batom Vermelho Sangue: Dir. R.B. Lima (Paraíba)
Modelo Vivo, Modelo Morto: Dir. Iuri Bermudes e Leona Jhovs (São Paulo)
Primavera de Fernanda: Dir. Débora Zanatta, Estevan de la Fuente (Paraná)

(Foto: divulgação)(Foto: divulgação)

MOSTRA 44
A Felicidade Delas: Dir. Carol Rodrigues (São Paulo)
Colômbia | Dir. Manuela Andrade (Pernambuco)
Girls And Sex - I Feel Like Girls: Dir. Louise Fiedler (Paraná)
Minha História É Outra: Dir. Mariana Campos (Rio de Janeiro)
Temporal: Dir. Maíra Campos e Michel Ramos (Minas Gerais)
Vênus - Filó, A Fadinha Lésbica: Dir. Sávio Leite (Minas Gerais)

SERVIÇO
III Transforma – Festival de Cinema da Diversidade de Santa Catarina
Instagram: @transformafest
Facebook: facebook.com/transformafest/
Site oficial: www.festivaltransforma.com.br


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