Grande Floripa, Opinião - 19 Jun 2013 07:00

Jornalista que cobriu caras-pintadas em 1992 volta aos protestos em 2013

Por: Fabiano Marques
 
Jornalista que cobriu caras-pintadas em 1992 volta aos protestos em 2013 A jornalista acompanhou a manifestação desta terça-feira (18) no centro da capital (Foto: Paulo Evangelista/Tudo Sobre Floripa)

A jornalista Vera Maria era repórter de televisão em 1992, ano em que surgiram os caras-pintadas - como ficou conhecida a geração que foi às ruas pelo impeachment do Presidente Fernando Collor de Melo. Na noite desta terça-feira (18), 21 anos depois daquele que foi um dos grandes acontecimentos históricos do país, a jornalista volta a um palco de manifestações, desta vez, no centro de Florianópolis, para acompanhar o ato de protesto.


Por Vera Maria

O Brasil ainda estava sacudindo a poeira dos 21 anos de ditadura militar e comemorava a primeira eleição direta depois dos anos de chumbo. Mas as primeiras medidas anunciadas pelo novo presidente não foram de alegria. Denúncias de corrupção, enriquecimento ilícito e tráfico de influência chegaram aos ouvidos da população. Assim, os estudantes que ouviram de seus pais histórias dos movimentos das décadas anteriores, passaram a construir a própria história. E foi assim que o movimento Caras-Pintadas surgiu, em 1992, e ganhou adeptos e inflamou o país inteiro.

Em Florianópolis não poderia ser diferente. Na época, eu era repórter de uma emissora de TV e cobri as manifestações com entradas ao vivo durante a programação. O sentimento era de civilidade, de euforia por ver as pessoas querendo mudança. 

Lembro muito bem das passeatas, do Domingo Negro, no mês de agosto, quando as pessoas se vestiram de preto para pedir o impedimento de Fernando Collor. Mas lembro mais ainda do dia em que a votação passou pela Câmara.

Houve comemoração no país inteiro, e aqui, a Praça XV de Novembro e o Largo da Catedral eram os locais de concentração. 

Agora, os tempos são outros. Tempos das redes sociais. Se antes os estudantes acompanhavam pelo telefone ou pelo rádio, hoje é pelo Facebook e pelo Twitter. Mas as diferenças acabam na comparação tecnológica.

Vera Maria: - O meu coração de jornalista pulsa ao ver brasileiros com esse desejo de um Brasil melhor... (Foto: Bruno Oliveira/Divulgação)Vera Maria: - O meu coração de jornalista pulsa ao ver brasileiros com esse desejo de um Brasil melhor... (Foto: Bruno Oliveira/Divulgação)

Apesar de não trabalhar mais na imprensa diária, observo de perto a manifestação em Florianópolis, também no Centro. Voltei a viver esse sentimento único de uma população querendo respeito.

O meu coração de jornalista pulsa ao ver brasileiros com esse desejo de um Brasil melhor, de uma sociedade mais justa, de uma Floripa mais igualitária, com os manifestantes pedindo redução de tarifa de ônibus, transporte de qualidade, redução dos gastos públicos, fim da corrupção, mais educação e saúde, entre outros.

Diante de movimentos como estes, o que vale mesmo é a essência de que a voz das ruas tem grande valor e o gigante estava apenas adormecido. Agora acordou.


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