Educação, Florianópolis, Geral, Política - 13 Fev 2020 02:05

Lava-Jato: ex-senador Paulo Bauer é denunciado pelo MP por corrupção

Ex secretário de Educação ficou conhecido por ordenar fechamento da escola Celso Ramos,em Florianópolis
Por: Direto da Redação TSF
 
Lava-Jato: ex-senador Paulo Bauer é denunciado pelo MP por corrupção (Foto: Divulgação)

O Ministério Público Federal (MPF) apresentou nesta quarta (12) uma denúncia contra o ex-senador catarinense Paulo Roberto Bauer (PSDB-SC), junto com outras nove pessoas, suspeitas de integrarem esquema para favorecer os interesses do grupo Hypermarcas no Senado Federal, entre 2013 e 2015. As provas coletadas indicam que o ex-secretário da Educação no estado recebeu R$ 11,8 milhões em propina, com a ajuda do assessor parlamentar Marcos Antônio Moser. Bauer atuou até semana passada como assessor especial na Casa Civil do governo de Jair Bolsonaro.

Paulo Bauer se notabilizou em 2010, quando, como Secretário Estadualde Educação, ordenou o fechamento e extinção da Escola Celso Ramos, que funcionava ao lado da Assembléia Legislativa. Centenas de estudantes, entre crianças, adolescentes e adultos, ficaram sem escola e muitos não voltaram mais à sala de aula.

Segundo a denúncia da Força-tarefa da Operação Lava Jato em São Paulo, os valores indevidos foram transferidos em parcelas por meio de contratos fraudulentos firmados com as empresas Ycatu Engenharia e Saneamento, Instituto Paraná de Pesquisa e Análise de Consumidor, Prade e Prade Advogados Associados e One Multimeios Tecnologia e Informática.

Além de Bauer e seu assessor Marcos Antônio Moser, foram denunciados por crimes de lavagem de dinheiro e corrupção ativa e passiva: Nelson José de Mello, João Alves de Queiroz Filho, Carlos Roberto Scorsi e Sílvio Tadeu Agostinho, então executivos da Hypermarcas; Nereu Antônio Martinelli, na época proprietário da Ycatu; o advogado Péricles Luiz Medeiros Prade (Prade e Prade), Murilo Hidalgo Lopes de Oliveira (Paraná Pesquisa) e Maurício Sampaio Cavalcanti (One Multimeios).

Todos também foram denunciados por formação e participação de organização criminosa, que operava dividida em três grupos. Segundo o MPF, Paulo Bauer e Marcos Moser formariam o núcleo político da organização, enquanto Nelson Mello, João Alves de Queiroz Filho, Carlos Scorsi e Sílvio Tadeu Agostinho seriam o núcleo na Hypermarcas. Já Nereu Martinelli, Péricles Prade, Murilo Hidalgo de Oliveira e Maurício Cavalcanti integrariam grupo responsável pela lavagem de dinheiro, segundo o MP.

Delação e contratos fictícios
A ação penal é resultado das investigações realizadas a partir do acordo de colaboração firmado com Nelson José de Mello, ex-diretor de relações institucionais da Hypermarcas. Ele apresentou provas que corroboram seus depoimentos, incluindo cópias de contratos fictícios, sem a devida contraprestação de serviços, e uma linha do tempo que mostra a correlação entre os pagamentos feitos para Paulo Bauer e a tramitação de proposta de emenda constitucional de sua autoria no Senado. A PEC 115/2011, arquivada em 2018, alterava o regime tributário sobre medicamentos de uso humano.

Segundo a denúncia, o colaborador Nelson Mello “relatou que considerava importante desenvolver relações políticas com Paulo Bauer, à época considerado um parlamentar de destaque no PSDB, que concorria ao governo estadual e participava ativamente de assuntos relacionados à guerra fiscal entre os estados e a indústria farmacêutica”. O acompanhamento da PEC 115/2011 foi batizado internamente, na Hypermarcas, como projeto Criciúma.

Os contratos fraudulentos eram firmados entre a Hypermarcas e as demais empresas, que repassavam os valores para o ex-senador, de forma a dissimular a origem do dinheiro. A KPMG Auditores Independentes, responsável pela auditoria externa do grupo, chegou a questionar um dos contratos, com a Prade & Prade, já que foram pagos honorários sem que o escritório estivesse elencado na circularização de advogados da Hypermarcas.

Despedida do cargo
Após oito anos no mandato de senador, Paulo Bauer foi nomeado pelo presidente Jair Bolsonaro em fevereiro de 2019, para atuar na Secretaria Especial de Relacionamento Externo da Casa Civil, como assessor especial, com a função de fazer a interlocução entre senadores e o governo federal. Na semana passada, o ex-senador entregou o cargo, alegando dificuldades de manter contato com familiares, a partir da reformulação administrativa da pasta.

Paulo Bauer e os outros réus ainda não se manifestaram sobre o assunto.


Imprimir
Enviar para um amigo
Assinar

Envie esta notícia para um amigo



Comente
esta notícia

Ao efetuar um comentário, o seu IP (Internet Protocol) será gravado e poderá ser utilizado para identificar o usuário que inseriu o mesmo.
Opiniões expressas aqui são de exclusiva responsabilidade do autor do comentário e não necessariamente estão de acordo com os parâmetros editoriais do Tudo Sobre Floripa.


Outros comentários

noresults

Caso o comentário acima for abusivo ou seu nome for utilizado indevidamente, denuncie.

Notícias por data:

a
Voltar