Cultura, Educação - 10 Set 2018 17:44

Livro “Meu Corpo, Minhas Medidas” debate a gordofobia como linguagem do racismo

Escritora norte-americana de origem hispânica foi lançada no Brasil pela Primavera Editorial
Por: Direto da Redação TSF
 
Livro “Meu Corpo, Minhas Medidas” debate a gordofobia como linguagem do racismo (Foto: Divulgação)

Por quase 20 anos, Virgie Tovar esteve em dieta. Restringia tudo o que comia e tentava alterar a forma e o tamanho do corpo à base de exercícios. Cada mordida ou colherada de comida era como uma peça dramática encenada no palco da vida. Aos 11 anos fez a primeira dieta radical – na realidade, mais inanição do que redução de alimentos. Crescendo como uma garota gorda, acreditava que o corpo precisava ser melhorado. Duas décadas dietas e culpas constantes foram substituídas pela liberdade de confiar no próprio corpo. A saga dessa norte-americana de origem hispânica ao gordoativismo feminista é contada na obra Meu Corpo, Minhas Medidas, lançamento da Primavera Editorial.

De acordo com a autora, a misoginia se manifesta de diferentes formas, dependendo da posição do corpo feminino no esquema sexista. Todas as mulheres são subjulgadas. Mulheres magras são tão desumanizadas quanto as mulheres gordas. Mulheres muito magras são posicionadas em cargos mais públicos – esposas e namoradas –; enquanto as gordas estão em posições mais privadas como amantes ou namoradas secretas.

- Mesmo entre as gordas existem variações no tratamento, baseadas em comportamento e status social. Uma mulher gorda cisgênero provavelmente um tratamento diferente de uma mulher gorda transsexual. Uma única feminista não é capaz de reparar o legado de misoginia que continua a habitar e destruir nossas vidas -, avalia Virgie Tovar.

Em 136 páginas, Virgie Tovar traz um amplo e provocativo panorama sobre a temática em capítulos como Gordofobia e cultura da dieta: o que são?; Restrição alimentar não é para você; Dieta: família, assimilação e bootstrapping; A dieta é uma tática de sobrevivência; Inferioridade inferiorizada e sexismo; Os caras amam magreza: heteromasculinidade e raça branca; A gordofobia é a nova linguagem do classismo e racismo; O que aprendi com o gordoativismo; Quando sonho com o meu futuro, me vejo gorda; Quero liberdade; e Você tem o direito de permanecer gorda.

TRECHOS DO LIVRO
Página 17
“(...)  A gordofobia cria um ambiente de hostilidade em relação às pessoas de corpo avantajado, promove um relacionamento patológico com a comida e o movimento (que, por meio da cultura da dieta, transforma-se em dieta e exercício), e deposita a carga do viés gordofóbico em indivíduos incompatíveis – isto é, pessoas gordas. Por causa da forma como as pessoas gordas são retratadas em nossa cultura, elas aprendem a temer a gordura. Elas temem a discriminação e o ódio.”

Página 69
“(...) Nós perguntamos por que ela desistiria de algo com que se importava tanto. Ela nos disse que realmente queria um relacionamento e uma família com um homem, e que isso sempre fora um problema devido ao fato de ela ter um metro e oitenta de altura. Agora que se aproximava dos trinta anos, estava entrando em pânico. Tentara se relacionar, mas descobriu que a combinação de sua altura com o seu nível de educação atuara como um ‘golpe duplo’. Ela havia chegado à conclusão de que, embora não pudesse mudar a sua altura, podia fazer algo quanto a ter ou não um doutorado.”

Página 90
“(...) Há evidências convincentes de que o racismo mata pessoas. Há evidências convincentes de que viver com o estresse da pobreza leva a uma série de desafios à saúde mental. Há evidências convincentes de que a discriminação leva a níveis elevados de estresse e ansiedade que suprimem a função dos principais órgãos. E há evidências de que a gordofobia leva à diminuição da expectativa de vida.”

Páginas 107 e 108
“(...) Durante o encontro, ele me perguntou:
– Sua vida não seria mais fácil se você fosse magra?
A resposta a essa pergunta é simples: não!
Minha vida não seria mais fácil se eu fosse magra. Minha vida seria mais fácil se essa cultura não fosse obcecada em me oprimir por ser gorda. A solução para um problema como o preconceito não é fazer tudo ao alcance para se acomodar ao preconceito. É se livrar dele.”

Sobre a autora
Crescendo como uma garota gorda, Virgie Tovar acreditava que o próprio corpo era algo a ser “melhorado”. Depois de duas décadas de dieta e culpa constante, superou essa crença equivocada e passou a ajudar outras a fazerem o mesmo. Mulher de 113 quilos, faminta por um mundo onde os corpos são valorizados igualmente, é fashionista, ativista vociferante, amante de docinhos com creme, uma viajante global, desbocada e uma boêmia de San Francisco, Estados Unidos.

Sobre a editora
A Primavera Editorial é uma editora que busca apresentar obras inteligentes, instigantes e acalentadoras para a mulher que busca emancipação social e poder sobre suas escolhas. www.primaveraeditorial.com


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