Economia e Negócios, Geral, Polícia, São José - 05 Fev 2020 19:01

Loja em São José é condenada por assédio sexual de gerente contra as colegas

Justiça do Trabalho manteve a condenação a empresa ré
Por: Direto da Redação TSF
 

A Justiça do Trabalho manteve a condenação de uma rede de varejo em um caso de assédio sexual envolvendo uma vendedora de São José. A empregada denunciou um gerente que insistia em dar abraços, beijos e até mesmo beliscões nas subordinadas de sua equipe. Segundo a vendedora, o supervisor costumava fazer comentários de natureza sexual e usava sua função para tocar nas empregadas.

- Havia abraços, apertões e beijos desnecessários -, confirmou uma das testemunhas. Outra pessoa disse ter visto o gerente beijar as vendedoras na bochecha e beliscá-las. Quando elas reclamavam, o supervisor dizia estar apenas brincando.

No depoimento à Justiça do Trabalho, a empregada contou que uma das “brincadeiras” do gerente consistia em pedir a ela para subir em uma escada e pendurar um cartaz na parte superior da loja. Enquanto ela realizava a tarefa, o gerente fazia comentários sobre seu corpo e chamava outros empregados para “observá-la”.

Assédio ambiental
O caso foi julgado em primeira instância na 2ª Vara do Trabalho de São José (SC), que condenou a loja a pagar uma indenização de R$ 15 mil à empregada por dano moral. Na decisão, o juiz do trabalho Charles Baschirotto Felisbino entendeu não haver prova suficiente para condenar a empresa por cobrança excessiva de metas, outra reclamação da empregada que constava na ação.

- Não se pode aceitar que num ambiente de trabalho ocorra desrespeito à intimidade dos empregados -, afirmou o magistrado, lembrando que a empresa é responsável pelo que acontece em suas instalações.

- A exposição da imagem do trabalhador a situações humilhantes e ridículas perante terceiros e o tratamento desrespeitoso são veementemente repudiados por este Juízo -, completou.

A rede varejista recorreu ao Tribunal Regional do Trabalho da 12ª Região (SC), solicitando que a indenização fosse reduzida. Argumentou desconhecer a situação narrada pela vendedora e alegou que oferece um canal de comunicação direta aos empregados para denúncias de assédio.

O recurso foi julgado pela Primeira Câmara do Tribunal, que decidiu, por maioria, manter o valor da condenação. Segundo a juíza do trabalho convocada e relatora Maria Beatriz Gubert, o fato de a empresa possuir um canal para denúncias atenua a gravidade de sua culpa, mas não afasta sua responsabilidade.

- Essa medida se revelou ineficaz, pois, do contrário, a reclamante e outras empregadas não teriam sofrido assédio -, avaliou, também destacando o caráter pedagógico da condenação.

No voto, a magistrada ressalta ainda que o assédio sexual pode se desenvolver de diversas formas, englobando desde chantagens diretas de superiores até a prática constante de piadas e incitações sexuais inoportunas por colegas — o chamado assédio sexual ambiental. As partes não recorreram da decisão.


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