Florianópolis, Polícia - 19 Fev 2016 09:16

Morre no hospital homem que foi torturado por traficantes na Mariquinha

Camilo Barboza tinha 27 anos e cursava Direito
Por: Róbinson Gambôa
 
Morre no hospital homem que foi torturado por traficantes na Mariquinha Camilo tinha 27 anos (Foto: Facebook / Divulgação)

Morreu na noite de quinta-feira (18) o estudante de Direito Camilo Cabral Barboza, de 27 anos, assassinado por traficantes do Morro da Mariquinha, em Florianópolis. Camilo havia sido torturado por bandidos e estava desde terça-feira (16) internado no Hospital celso Ramos, onde não resistiu aos ferimentos e morreu. Ele será velado durante o dia nesta sexta (19) na capela do Cemitério do bairro Itacorubi, onde será sepultado à tarde.

Segundo familiares e amigos, Camilo havia ido morar na mariquinha há pouco tempo, e acabou tendo um desentendimento com uma vizinha, por causa do estacionamento de um carro. A mulher teria então pedido ajuda para os traficantes que comandam o Morro.
Na terça, Camilo foi levado por três homens para uma casa, onde foi torturado. Os bandidos teriam amputado o seu pé, arrancado uma orelha e ainda outras torturas. Pela manhã, Camilo foi liberado e foi para casa, quando sua mulher chamou uma ambulância.

Camilo cursava Direito no Cesusc. Em 2012, trabalhou na campanha política dos candidatos Angela Albino e Nildão Freire., onde fazia parte da equipe de seguranças.

Nas redes sociais, o presidente do Clube de Xadrez Florianópolis, Marcelo Pomar,  amigo pessoal de Camilo, manifestou sua indignação com o crime.

- Camilo foi assassinado num ato de selvageria e barbárie no morro da Mariquinha, no centro de Florianópolis, onde residia a pouco mais de um ano. O que começou como uma desavença estúpida de vizinhança, se desdobrou numa calúnia, seguida de um julgamento sumário, cruel e sem defesa, por parte daqueles que impõe sua própria lei pela força das armas, expressão da falta de Estado e de políticas públicas. Foi-se um jovem promissor e batalhador. Foi de maneira dolorosa, sofrida. Deixou uma companheira inconsolável, e o filho dela que adotou como seu. Deixou em nós um buraco. E a certeza que não estamos tão longe da Idade Média quanto a ilusão do asfalto, dos prédios do centro, do mundo do consumo nos fazem acreditar. Amanhã cedo vou ao seu velório, e sei que já volto de lá outra pessoa. Consternado. Acreditando menos na humanidade.


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