Educação, Florianópolis, Meio Ambiente, Palhoça - 25 Out 2019 17:47

Palhoça: Morro do Cambirela tem 9 metros a mais que medida oficial

Expedição realizou agrimensura com equipamentos modernos. Dados eram dos anos 1960
Por: Direto da Redação TSF
 
Palhoça: Morro do Cambirela tem 9 metros a mais que medida oficial (Foto: divulgação)

Uma expedição de estudos promovida pelo curso técnico em Agrimensura do IFSC de Florianópolis fez uma medição mais precisa da altura do Morro do Cambirela, em Palhoça. O local faz parte do Parque Estadual da Serra do Tabuleiro, e chegou a ganhar repercussão nacional por conta da neve no inverno de 2013. Com técnicas mais avançadas do que a última medição feita, na década de 60, o grupo descobriu que o Cambirela mede 1052m, nove a mais do os 1043 indicados nas cartas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e 29 metros a mais do que diz o Google Earth.

O dorso mais conhecido do morro é o que fica no Norte, cujo topo pode ser visto da BR-101. É o preferido pelos trilheiros e turistas. Mas o pico mais alto é do lado Sul, onde não há trilha aberta. Ao explicar de onde veio a ideia da expedição, Rodrigo Dalmolin dos Santos, egresso do curso técnico em Agrimensura, relembrou um dos desbravadores do Everest, George Mallory - ao ser perguntado repetidamente por repórteres por que motivo queria ele escalar o Monte Everest, ele replicou a um deles:

- Porque ele está lá. Tomadas as devidas proporções, claro -, brinca Rodrigo.

Os preparativos para a expedição tiveram início em 2018 com revisão bibliográfica, expedições de reconhecimento e preparação e o pedido de autorização do levantamento junto ao Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA), órgão responsável pelo Parque Estadual da Serra do Tabuleiro, onde se encontra o Cambirela.

(Foto: divulgação)(Foto: divulgação)

- Fizemos duas trilhas de reconhecimento, pois precisávamos descobrir como seria levar os aparelhos necessários, como adaptar o equipamento que, normalmente, tem um tripé, para um local em que não seria possível abrir o tripé -, lembra Rodrigo.

Na manhã do dia 26 de maio, antes do amanhecer, a expedição partiu rumo ao ponto mais alto da montanha. Lá, muito frio e vento durante a uma hora que a equipe precisou ficar cerca de uma hora para as medições. No total, foram mais de 13 quilômetros e 10 horas de trilha, ida e volta.

- Pelo que pesquisamos, foi a primeira trilha oficial para o pico Sul do Cambirela -, diz o técnico.

De acordo com a professora do curso Carolina Collischonn, o rastreio funciona da seguinte forma: o receptor colocado no local recebe informações de satélites (coordenadas e a distância ao satélite receptor) e assim calcula a coordenada e a altitude do ponto. A precisão de 15 centímetros, para mais ou para menos.

Rodrigo explicou ainda que as cartas do IBGE que citam a altura do Cambirela (Cartas Paulo Lopes e Florianópolis), foram restituídas na década de 80 com base em medições feitas por aerofotogrametria nos anos 1960.

- Elas não foram feitas para medir altitudes com precisão, elas foram feitas para mostrar o relevo -, disse.

Para ele, essa medição pode ser encarada como o primeiro de muitas.

- Há vários picos não medidos de forma moderna em Santa Catarina. Um exemplo é a Serra do Tabuleiro. Fica a ideia para próximos desafios -, completou.


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