Comunidade, Habitação, Palhoça - 19 Jun 2013 07:00

Na maior favela de SC, 61% das pessoas sobrevivem com menos de um salário

Frei Damião, em Palhoça, foi alvo de um estudo promovido pelo Sebrae, que quer incentivar o empreendedorismo
Por: Róbinson Gambôa
 
Na maior favela de SC, 61% das pessoas sobrevivem com menos de um salário Em todo o estado, foram identificados 74 bolsões de miséria. (Foto: Divulgação)

Na comunidade Frei Damião, em Palhoça, apontada como maior favela de Santa Catarina, 61% dos moradores sobrevivem com renda mensal inferior a um salário mínimo. Das 1.346 moradias mapeadas pelo Sebrae, que promoveu um estudo no bairro para promover ações para incentivar o empreendedorismo, 61 famílias não possuem renda nenhuma.

Desempregada há dois anos, a dona de casa Adelaide Kramer Carneiro, de 59 anos, é um exemplo dos moradores sem nenhuma renda no bairro. Sustentada pelos filhos, ela reclama que sua casa está “quase caindo”. No começo do ano, ela perdeu o direito ao Bolsa Família, mas não sabe explicar o motivo.

Desempregada há dois anos, Aelaide reclama da casa que está caindo. (Foto: Via Palhoça/Divulgação) Desempregada há dois anos, Aelaide reclama da casa que está caindo. (Foto: Via Palhoça/Divulgação)

O estudo do Sebrae percebeu que das 1.346 moradias catalogadas, a maioria não recebe serviços essenciais e está instalada de forma irregular e desordenada. Destas, apenas 265 residências estão ligadas à rede de esgoto sanitário, sendo que 152 famílias não são atingidas pela coleta de lixo e outras 10 casas não possuem sequer banheiro ou vaso sanitário.

Dona Bila, moradora antiga do bairro, com a família, em frente à sua moradia. (Foto: SOS/SC/Divulgação)
Dona Bila, moradora antiga do bairro, com a família, em frente à sua moradia. (Foto: SOS/SC/Divulgação)

O estudo também apontou que dos 5.141 moradores da Frei Damião, 29% tem entre 15 e 29 anos. Outros 32% estão na faixa dos ,30 e 64 anos e 37% de zero a 14 anos. Apenas 2% tem mais de 65 anos.

Na divisão por gênero, a pesquisa identificou uma pequena maioria de homens, com 50,07%, contra 49,93% de mulheres.

Apesar de terem sido identificadas cerca de 150 pessoas realizando alguma atividade ligada a comércio de produtos e serviços, apenas sete pessoas se reconheceram como empresários ou empreendedores.

No sábado, dia 15, técnicos do Sebrae estiveram no local para conversar com a comunidade. A ideia era prestar esclarecimentos sobre como montar e legalizar pequenos negócios, uma iniciativa do Projeto Territórios, que busca melhorar os indicadores socioeconômicos das 90 regiões de menor IDH de SC por meio do empreendedorismo. Em toda Santa Catarina, foram identificados 74 bolsões ou aglomerados de extrema pobreza.

De acordo com Fabio Zanuzzi, coordenador do projeto no Sebrae/SC, a Frei Damião foi escolhida por ser considerada o maior aglomerado subnormal do Estado (definição do IBGE para conjunto com mais de 51 habitações carentes de serviços públicos essenciais).

No entanto, os estudos de viabilidade e mapeamento de oportunidades de negócios na região identificou no bairro um potencial empreendedor.

- Prova disso foi a quantidade de pessoas que nos procuraram durante o atendimento. Além daqueles que querem abrir seus negócios, percebemos a preocupação dos empreendedores locais em formalizar e investir mais em suas pequenas empresas, avalia.

Segundo ele, a maioria das pessoas que se mostram interessadas revelaram intenção de abrir bares, restaurantes e lanchonetes, reciclagem de resíduos e salão de beleza.

 


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