Comunidade, Cultura, Geral, Palhoça - 05 Dez 2018 15:58

Proibição da Batalha das Rimas em Palhoça ganha projeção nacional

Governo Municipal explica que não houve proibição, mas deixou de emitir licença
Por: Direto da Redação TSF
 
Proibição da Batalha das Rimas em Palhoça ganha projeção nacional Manifestação ocorre há 10 anos em Palhoça (Foto:Facebook / Divulgação)

Em Palhoça, a proibição das chamadas Batalhas das Rimas, consideradas manifestações culturais ligadas ao Movimento Hip Hop, ganhou repercussão nacional nas mídias nesta quarta-feira (5). No começo da tarde, a Prefeitura emitiu uma nota prestando esclarecimentos sobre o caso.

Os encontros ocorriam todas as quartas-feiras, sempre das 19h às 22h, na Praça Sete de Setembro. A maioria jovens da periferia, se agrupam num círculo onde declamam canções com rimas, geralmente com conteúdo de protesto, relatando a realidade das comunidades onde vivem. Inspirada na cultura norte-americana, a Batalha das Rimas já ocorre em diversas capitais do País, como Florianópolis, onde os encontros acontecem na Praça da Alfândega.

Segundo os organizadores, a “Batalha da Palhoça” começou há cerca de 10 anos, no bairro Pacheco. Hà seis anos, foi trazida para o Centro, para facilitar a participação de jovens de outros bairros. Na praça 7 de Setembro, as batalhas costumam reunir em média de 60 a 70 pessoas para assistir às declamações, sempre em disputas diretas entre MCs, como são chamados os participantes. Uma das batalhas chegou a reunir 200 pessoas.

Nas batalhas, as disputas costumam reunir até 16 MCs participantes. Alguns vêm de Floripa, onde o evento já se espalhou pelos bairros. Nesses 10 anos, já houve participações de MCs do Rio de Janeiro e até de Belo Horizonte.

Representantes do movimento tiveram reunião na Prefeitura (Foto:Facebook / Divulgação)Representantes do movimento tiveram reunião na Prefeitura (Foto:Facebook / Divulgação)

Um dos mais conhecidos no grupo, João Carlos, o MC Lil CF, conta que há dois anos tiveram uma reunião com o prefeito, e a partir daí passaram a receber autorização por escrito para os encontros semanais na praça. Segundo ele, a Prefeitura também se prontificou a fornecer uma tenda para abrigar o pessoal em noites de chuva e um microfone, para amplificar o som das rimas. No entanto, ficou só na conversa. Nunca houve tenda. Um microfone foi emprestado uma única vez, mas logo foi “desautorizado”.

Há cerca de um mês, a Prefeitura parece ter mudado de ideia sobre a permissão. As reuniões passaram a ser reprimidas pela Polícia Militar. João Carlos conta que em alguns casos, os policiais preferem conversar, e resolver a situação de forma pacífica, dispersando o grupo e todos vão para casa. Outras vezes, conforme a guarnição, há violência.

- Chegaram a bater numa criança. Já apontaram arma e bateram na cara de alguns -, conta o MC.

Segundo a Nota, assinada pela Secretaria de Segurança Pública de Palhoça, as batalhas de rap na Praça Sete de Setembro não foram proibidas. No caso, a Prefeitura deixou de emitir autorização devido ao suposto descumprimento das regras como limite de horário, proibição do uso de drogas e alternância de locais a cada 15 dias para manter a ordem pública.

- É importante ressaltar também que houve denúncias de moradores e comerciantes locais. A Fundação Municipal de Esporte e Cultura informa, ainda, que foram disponibilizados espaços públicos como ginásios, parques e outras praças para os eventos, oferta rejeitada pelos organizadores -, explicou a Nota.

(Foto:Facebook / Divulgação)(Foto:Facebook / Divulgação)


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